E quando eles forem adultos?
Sobre o que acontece quando nossos pequenos crescem
Por Kika Coutinho
Foi dia desses, no facebook, onde tudo acontece hoje em dia. Olha a história: Uma amiga de infância, que engravidou cedo e teve um menino lindo. Logo separou-se do pai da criança, mas, aos trancos e barrancos criou o rebento. Levou 8 anos pra acabar a faculdade de 4, perdeu alguns empregos, namorados, noites de sono e, claro, um pedaço da vida. Mas criou um garoto bacana, que cresceu e, aos 16, tem facebook e fala inglês fluente.
Pois o menino não me posta, na timeline, uma foto, todo aprumado, de mãos dadas com uma criança de, sei lá, 15 anos, e, ainda por cima, escreve na legenda: “A mulher mais importante da minha vida. Te amo, você é tudo pra mim.”??
Oi? Esfreguei os olhos. Não pode ser. Como assim a mulher mais importante da vida dele é essa fofucha seminua que eu nunca vi na vida?
Respirei fundo. Pensei na minha amiga querida. Nos choros e soluços que passei com ela, enquanto essa criança crescia. O tempo é mesmo implacável. Mostra que até o amor mais devocional, pode mudar de lugar, num sopro.
O tempo, senhor da impermanência, estava lá, sorrindo numa foto escura.
Como é bom quando são crianças, penso, num suspiro.
Quando nos abraçam com mãos pequeninas e o maior amor do mundo. Quando riem das nossas piores piadas. Quando nos acham princesa linda, no nosso vestido velho.
É exaustivo, é cansativo e, convenhamos, é enlouquecedor, mas, é um tempo de tamanho preenchimento, que não sonhamos com o vazio mudo de um ninho desocupado.
Minha amiga não estava triste, nem surpresa. Aprendeu com o tempo que o amor caminha, vivo, para um outro lado, mas está lá; e ela, mulher de fases, sabe que a vida é feita disso mesmo.
Eu, agarro minhas crias e permito que durmam comigo — só hoje. Lhes cheiro o pescoço e adormeço, deixando de lado o tempo. Meu ninho está cheio, meu corpo exausto e meu coração completo.
