Briga de irmãos

Quando os filhos parecem que se odeiam, por mais que você os ame.

Por Kika Coutinho

Vestido Giovanna em Peças Artesanais — http://www.minilou.com.br/pecas-artesanais-ct-154801

É frustrante quando eles odeiam a sua comida. É frustrante o xixi no chão. É frustrante a nota baixa nas primeiras provas. Mas, poucas coisas são tão frustrantes quanto as brigas dos irmãos. Se filho rejeitado já dói feito faca no peito, filho rejeitado por outro filho é pedra no rim. Das grandes.

Eles conseguem brigar por temas inimagináveis. Desde queixas ridículas como: “ele tocou em miiiim” até as mais elaboradas: “ela acha que tudo é dela, e que o mundo foi feito pra ela e nada nunca vai ser meu” — o barulho é sempre ensurdecedor.

E, de alguma maneira, a gente vai se adaptando a isso. Começamos desejando que sejam amigas eternas, confidentes fiéis, parceiras de vida, e, de repente, temos alguns insights de: “se elas não se odiarem está bom. Espero que não sejam inimigas mortais.”

Eu já me vi nesse nível de desânimo algumas vezes, e, estranhamente, foi aí que a coisa começou a funcionar um pouco melhor.

Não me meter nas brigas, foi uma decisão acertada aqui. Muitas vezes dá coceira, a gente assiste um filho ser injusto com o outro, eventualmente com requintes de crueldade, mas, veja, intervir gera mais barulho e eles se acostumam a vir me acessar para resolver os impasses.

Por outro lado, a observação é rica. Você assiste uma injustiça, mas, em algum momento vai assistir a vítima se fortalecer — a ponto de se defender. Não é assim que aprendemos? Não é melhor que seja entre irmãos, esse exercício de ceder/não ceder/defender-se e atacar na medida certa? Claro, tem situaçōes em que não dá. Desrespeito ou agressao física não deixo passar. Mas o resto? Respondo às acusaçōes de um e de outro com um tranquilo: “Não adianta vir falar comigo filho, você tem que falar isso pra ela, vocês sabem conversar” e sigo fritando meu bife. Aqui, não praticamos a delação premiada — embora eles tentem ferrenhamente.

Em paralelo, optei por incentivar as açōes positivas de todos os tipos. Desde recuperar fotos juntos do passado e lembrar quanta diversão já tiveram: “Olha filho, aquele dia que você salvou sua irmã de pisar num formigueiro!” ou “Lembra? Aquele show que vocês fizeram juntos!” Até incentivar que façam coisas um pelo outro: “Hoje a noite um vai fazer uma coisa legal pelo irmão, o que vai ser?” — já tivemos tentativa de tapa na cara sim, mas já tivemos massagem nos pés, coçada de costas e arrumação do quarto do outro.

No final das contas, a intimidade que adquirem, a familiaridade, e a capacidade de negociação, são gotas de ouro, que o cotidiano — e as brigas — propiciam.

Porque, se as agressões entre eles doem feito contração de parto, vamos combinar que nenhuma melodia é mais linda do que o som dos irmãos rindo e brincando juntos.

Força na peruca!