Conexão Direta com o antiprofissionalismo

Mira na Mídia
Sep 3, 2018 · 2 min read

Programa de rádio Conexão Direta é líder em audiência, mas deixa a desejar no quesito credibilidade

Beto Gebaili tem 27 anos de carreira no rádio, passando do AM para o FM e hoje é apresentador do programa Conexão Direta, programa de grande audiência da Rádio 89 FM. O Conexão Direta vai ao ar de segunda à sexta-feira das 18h às 19h, horário de rush na cidade de Joinville, e por isso o programa apresenta informações relacionadas ao trânsito mas em maior parte sobre segurança pública, esportes, denúncias além de dar espaço aos ouvintes.

Nas redes sociais Beto Gebaili descreve o programa como Informativo e de opinião com credibilidade e respeito a ao ouvinte, no entanto de credibilidade o Conexão Direta deixa a desejar. Pouco ou nenhum enfoque, informações não contextualizadas e pouco apuradas, sem dar voz a todas as fontes, além de sensacionalista.

Não é de se surpreender já que o radialista não possui formação em jornalismo, mas sim grande experiência em vendas onde deu início a sua carreira na rádio, através de um programa da Rádio Cultura onde fazia vendas de comerciais. O que preocupa é um profissional com pouco conhecimento jornalístico desempenhando uma função de total influência sobre a população.

Um exemplo deste antiprofissionalismo está em de seus programas que foi ao ar em junho de 2015, onde Gebaili entrevista o Coronel Nelson Henrique Coelho, comandante do 8º batalhão da Polícia Militar de Joinville sobre segurança pública. Ao longo da entrevista o radialista tinha o dever de fazer perguntas, porém a opinião dele teve mais espaço. Além disso comentários como “Hoje mesmo vi um helicóptero com policiais com armas na mão apontando para todo o lado, e é assim mesmo que a polícia militar tem que fazer coibir o crime”. Esta fala tem um caráter pejorativo, como se coibir o crime dependesse somente de apontar a arma para todo o lado.

Outros comentários infelizes dizem respeito a prisão, como dito pelo Coronel Coelho “Nós prendemos de 180 a 200 pessoas todo mês”, além das várias vezes em que algum crime é comentado no programa e Gebaili questiona o Coronel se os infratores já estão na cadeia. Falas como estas precisam de um cuidado na hora de serem ditas, de fato é preciso que a polícia aja, mas quando dito em uma entrevista é necessário contextualizar e fazer a população entender que uma cadeia cheia, não é sinônimo de progresso.

De maneira geral o programa Conexão Direta, deveria tomar mais cuidado com o sensacionalismo, enfoque, pluralidade, investigação, entre outros parâmetros.

Esta análise foi produzida pela acadêmica Viktória de Matos Fernandes Rodrigues para a disciplina de Observatório da Mídia, da 6ª fase do curso de Jornalismo da Faculdade Ielusc.

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    Estudantes de jornalismo com a missão de analisarem produtos midiáticos. Turma do 3º ano do curso de Jornalismo da Faculdade Ielusc, em Joinville (SC).

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