Florianópolis é a nova capital catarinense de dança?
Desde que mundo é mundo, a cultura move o ser humano. E, quando falo em cultura, quero dizer todos os tipos, pois segundo Gomes (2009) que faz citação aos antropólogos Alfredo L. Kroeber e Clyde Kluckhohn, existe 164 definições diferentes para cultura e elas foram descobertas em 1952. De modo prático, a cultura pode ser definida em dois grandes grupos. O primeiro é mais antropológico e, pode ser definido como a cultura brasileira, indígena, americana. Já o segundo, é a cultura humanista que está nos museus, teatros, galerias e salas de cinema.
O Festival de Dança de Joinville, se enquadra no segundo tipo de cultura, por tanto humanista. Além da Escola de Dança Bolshoi — formada por alunos de diversas classes sociais em que muitos estudam com bolsas parciais ou integrais -, temos outras escolas e alunos, não apenas da cidade da dança, mas de outros estados participando das competições. Durante 36 anos, a maior cidade do estado de Santa Catarina foi considerada a capital da dança e, segundo a edição 27.946 do dia 28 de agosto de 2018, do jornal A Notícia — se é que ainda podemos chamar de jornal -, traz uma cópia da matéria/release do caderno Versal, do Diário Catarinense, também pertencente ao grupo NSC, destacando o Prêmio Desterro, em Florianópolis.

Se a notícia, que em nenhum dos dois locais está assinada, fosse falar do prêmio, não haveria problema nenhum, afinal, é uma utilidade pública, portanto, dever do jornalista, mas o título na Versar e, por consequência com pouca mudança no AN, é “Prêmio Desterro transforma Florianópolis na Capital da Dança”. O que difere as matérias de um local para outro, são poucas palavras e a foto. Mas o mais curioso, no caso do jornal impresso, é que na página ao lado em que a matéria foi veiculada, foi publicada uma nota de menos de dez linhas falando da preparação da 37ª edição do Festival de Dança.

Com a crise não apenas política e econômica do país, mas também da profissão, não é de hoje que as redações estão com menos profissionais. Mas por ser um dos assuntos que torna Joinville conhecida mundialmente, o veículo deveria dar mais atenção à notinha da página ao lado que passa despercebida pelo leitor comum — apesar de estar em uma página ímpar, que é considerada uma página nobre.
Joinville conta hoje apenas com o jornal A Notícia, quando falamos de jornal impresso, e o que interessa para o joinvilense leitor do veículo impresso ou mesmo do digital, saber do que está acontecendo na capital? Ele quer saber o que acontece na cidade dele. Por que assinar um jornal em que as notícias são as mesmas do Diário Catarinense? Antigamente, o AN tinha uma equipe só para o caderno ANexo, que era dedicado apenas à cultura e hoje, as páginas culturais se resumem a informações de outras localidades e não mais da cidade. Frente à essas situações, ficam duas perguntas: ainda temos um veículo local? E Joinville vai perder o título de cidade da dança?
Esta análise foi produzida pelo acadêmica Camila Silveira Rosa para a disciplina de Observatório da Mídia, da 8ª fase do curso de Jornalismo da Faculdade Ielusc. Não esqueça de conferir a matéria e deixar a sua opinião nos comentários.
