Quando foi que o jornalista ficou preguiçoso?
O sucateamento das redações reflete no desempenho do jornalista.
O final do domingo (02), não terminou muito tranquilo em Joinville. O clima de insegurança tomou conta da cidade após a divulgação de mensagens nas redes sociais. Nos áudios, um suposto presidiário relatava a transferência de quatro presos para um pavilhão dominado por uma facção rival. O homem pedia apoio da família e amigos.
“Tá quebrando tudo para tirar a atenção dos vermes.”
“ A cadeia aqui de Joinville virou, entendeu meus irmãos? Vamos mandar a imprensa ai, ta ligado.”
(Trechos de áudios que circularam nas redes sociais)
Rapidamente, o conteúdos dessas mensagens tomaram conta das redes sociais. Todos receberam videos, fotos e áudios sobre esse assunto. O clima de pânico se instaurou entre os moradores. Em pouco tempo mais mensagens foram surgindo. O conteúdo de algumas trazia um toque de recolher, ataques a delegacias, rebelião e reforços do BOPE de Florianópolis.

Diante de tanta informação e a velocidade com que elas se disseminam, a população fica em uma encruzilhada, sem saber o que realmente está acontecendo. A figura do jornalista sempre foi importante para atestar a autenticidade das informações. Mas neste domingo o jornalista ocupou a posição de replicar as informações que a comunidade já tinha conhecimento.
Em matéria publicada no site do Jornal Notícias do Dia, o portal utilizou apenas uma nota da Secretaria do Estado da Justiça e Cidadania e do Departamento de Administração Prisional. Somente a fonte oficial ganhou voz.
O mesmo aconteceu no Jornal A Noticia, novamente não tem nenhuma fonte e a mesma nota foi utilizada. A diferença é que o site do A Notícia trazia outras informações. Uma delas era que os familiares dos detentos estavam em frente ao presídio em busca de informações.
O que mais assusta é que a imprensa tinha a informação de que a família dos detentos estava em frente ao presídio. Sabia que tinha acontecido ataques a delegacias. Mas ninguém se preocupou em ir até o presídio e conversar com as pessoas que estavam lá? Ou até mesmo ir em uma das delegacias atacadas e conversar com os vizinhos? Quando foi que o jornalista ficou preguiçoso?
Não posso ser injusta e esquecer que as redações dos jornais citados acima estão muito reduzidas. Mas o jornalismo não pode ser simplesmente um replicador de fontes oficiais, principalmente quando elas também produzem conteúdos para suas redes sociais. O jornalista precisa ir para a rua, não dá pra viver de notas e mensagens de redes sociais.
Esta análise foi produzida pela acadêmica Jéssica Bett para a disciplina de Observatório da Mídia, da 8ª fase do curso de Jornalismo da Faculdade Ielusc. Não esqueça de conferir a matéria e deixar a sua opinião nos comentários.
