Doismiledezesseis

2016 definitivamente não foi um ano normal. Foi um ano louco, muito louco e cheio de aventuras — que não necessariamente são boas. Mas eu não vim aqui pra discursar sobre assuntos políticos, sociais ou econômicos, porque todos já sabem a desgraça que aconteceu mundialmente nesses três aspectos e em muitos outros. Na verdade, eu nem poderia muito falar sobre estes com firmeza, pois eu não entendo muito de nada. No máximo eu só poderia fazer uma junção dos rascunhos que eu entendo de cada um e formar uma opiniãozinha medíocre, mas que seria sincera e por isso deveria ser respeitada. Enfim, vamos ao que interessa: eu. (Se não for para ser egocêntrica eu nem existo, beijos)

2016 definitivamente foi o ano mais louco da minha vida, e isso foi muito bom. Vamos lá, merdas acontecem na vida de todos e se elas não vierem para te dar uma lição, com certeza estiveram ali para deixar uma boa história para ser contada futuramente. Ou os dois, em alguns casos. Claro que pode não ter um final legal, mas se foi uma boa história, foi um final divertido. Para mim, foi um ano em que eu mais me aventurei e não me arrependo nenhum pouco disso, apesar de algumas consequências indesejadas. Afinal, de que vale viver sem se arriscar? Sei que um pouco de responsabilidade é bom, mas qual é, cadê o espírito livre?

2016 definitivamente foi também o ano em que eu fui mais triste na minha vida, o que é meio contraditório, porque não foi o ano mais triste da minha vida. Aparentemente, com 8 anos de idade eu sei lidar melhor com meus problemas que atualmente. Lembro-me que no início do ano eu escrevi no Twitter um verso de uma música de Belchior que dizia o seguinte: “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” e há alguns dias eu estava pensando “poxa, acho que vou ter que retweetar isso , porque esse ano aconteceu a mesma coisa”. Realmente aconteceu a mesma coisa, esse ano eu morri. No entanto, ainda não tenho certeza se revivi; alguns fatores indicam que sim, outros que não, e acho que vou deixar pra decidir isso no dia 31 de dezembro. Afinal, procrastinar sempre será a minha maior arte. Caso eu decida que revivi, terei que pensar em outro verso de Belchior que defina minha situação.

2016 definitivamente foi o ano em que eu mais vagabundei e fui irresponsável. Ora bolas, todos nós sabemos que vagabundar é muito bom, não é mesmo? Mas quando o vagabundar se junta com irresponsabilidade em excesso, certamente não vem coisa boa por aí; existe um limite, e esse ano eu o ultrapassei e já estou me arrependendo das consequências. Mas é aquilo, né… Levaremos até onde der.

2016 definitivamente foi o ano em que eu… Não, pera. Eu iria escrever que foi o ano que eu mais idealizei, porém acho que nada supera 2012, afinal, esse foi o ano do auge da minha paixonite, e todos sabemos como são crianças apaixonadinhas (sei disso até hoje, infelizmente. Um dia a gente cresce). O negócio é que eu sempre prefiro idealizações ao invés da realidade, e por isso eu me perco no tempo em que as ilusões dos meus pensamentos foram mais intensas.

2016 definitivamente foi o ano mais eclético da minha vida. Eu nunca imaginei dançar até o chão em público, escutar várias vezes ao dia Marília Mendonça e adorar o FitDance. Quem passa pela frente da minha casa em dias de faxina ou for meu vizinho pode perceber; na minha playlist rola uma mistura louca de Belchior, Rihanna, Black Sabbath, Safadão, AC/DC, Phill Veras, Falamansa, Eminem, Aviões do Forró e Lady Gaga. Sim, eu sei o que vocês estão pensando: “quem diabos arruma a casa ouvindo o Phill Veras?”. Pessoas estranhas existem e devem ser valorizadas. Essa é minha palavra final.

2016 definitivamente foi o melhor ano da minha vida, simplesmente porque as minhas melhores lembranças com meus amigos estão nele. Sei que a minha infância foi sem igual e até um período perfeita, e por isso mesmo eu dou valor à 2016; foi o único ano em que eu não me prendi tanto ao passado e a uma vida que eu não terei nunca mais. Certamente não foi o ano mais feliz da minha vida e isso eu afirmo com todas as letras, mas foi o melhor. Continuo odiando 2016 pela sua relevância de merda em assuntos externos que influenciaram a minha vida, e até em internos, mas foi o melhor.

Durante todo esse texto, eu fiquei pensando em uma entrevista que vi há alguns dias, na qual o entrevistado era um navegador e dizia mais ou menos o seguinte: “Eu vivi em Paraty por muitos anos e afirmo que lá é um local lindo e aconchegante. Conheço muitos amigos que foram para o lugar, se apaixonaram e compraram uma casa lá para viverem tranquilos pelo resto de suas vidas. Escreveram uns livros, hoje bebem muito e se consideram felizes. Eu vejo eles e jamais conseguiria me imaginar daquele jeito; por mais que o local seja pleno e bonito, não viveria preso assim. Viajar pelo mundo se aventurando e se arriscando -muitas vezes até a morte- traz sentido à minha vida, e quero continuar assim até onde der.” Porque falei tudo isso? Bom, porque isso é o que eu espero para 2017. Minha alma é do mundo e eu pertenço a ele.

Eu deveria postar isso só no dia 31, mas como sou afobada, vamos de dia 06 mesmo.

É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem.

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