CADA QUAL COM SEU METEORO

Sendo bem sinceros, todo mundo conhece pelo menos uma pessoa que passou pela sua vida feito um meteoro.

Ah, vamos lá! Se alguma pessoa causou o Efeito Meteoro em sua doce e um tanto complicada vida, não será muito difícil lembrar-se dela; até porque Meteoro é assim, vem depressa, vai depressa, mas deixa um rastro longo e quase irreparável.

Agora você identificou? Bom, eu chamo de Efeito Meteoro, mas sinta-se livre para denominar da forma que quiser.

Começa assim, geralmente com uma simples conversa, até mesmo com uma simples troca de olhares, e quando você cai em si, BOOM! Acaba descobrindo grandes afinidades com uma pessoa que até então você mal sabia que existia.

A conexão é tão forte que vocês se entendem muito bem, mesmo com apenas algumas semanas de conhecimento sobre o outro; brincam, compartilham experiências, frustrações, desamores, conselhos. Sentem-se dependentes, incompletos.

Algumas vezes o meteoro acaba se tornando o grande alvo da sua paixão, e outras vezes se torna um verdadeiro melhor amigo em potencial, nunca se sabe. O que se sabe, de fato, é que uma vez presente em sua vida, você nunca mais será o mesmo.

Apesar de todas as consequências, a relação acaba sendo linda. Rápida, mas verdadeira. Até porque, não seria feita de maneira tão intensa se não houvesse conexão. E essa é a palavra chave, conexão. Aquilo que nos mantém unidos, que pode ser construída mas, nesse caso, é espontânea, sem planejamento algum. Aquilo que nos faz sentir o que o outro sente, nos faz enfrentar a batalha que o outro enfrenta, alimentando nossa compaixão. Por isso, sortudos são aqueles que provam de qualquer “relação meteoro”. Porque esse, mesmo que por pouco tempo, sentiu o verdadeiro, sentiu o inexplicável, sentiu-se preso por aquilo que não tinha como prendê-lo.

Não se faça de desentendido, você sabe que é assim. A sensação é estranha, os questionamentos são grandes e a maioria dos seus pensamentos direcionados à essa pessoa são relacionados à sua misteriosa afinidade, sua misteriosa aparição e principalmente, seu rápido sumiço.

Sendo assim, agora seria o momento perfeito para que eu deixasse um conselho, ou até mesmo um aviso — Já disse, aqui você pode interpretar como quiser — por isso digo: Uma vez acostumado com as risadas, com o companheirismo e o carinho, saiba que: Ele(a) vai embora. E por isso é de meteoros que estamos falando aqui, não de cometas. Cometas também são passageiros, mas não largam seus destroços, não deixam marcas. Meteoros sim.

Pessoas assim deixam marcas. Ensinamentos, conselhos, marcas de saudade. Memórias de noites mal dormidas em que passaram conversando, lembranças de dias ensolarados que passaram rindo.

E é por isso que, cá entre nós, as marcas são nosso único e maravilhoso meio de lembrar-nos da passagem deles.

Foto: Ahmad Jarrah