Em 31 de janeiro de 1971, a Apolo 14 foi lançada de Cabo Kennedy. Três dias depois, Edgar Mitchell e Alan Sheppard estavam caminhando sobre a superficie da Lua, um momento audacioso não apenas na historia americana, mas a historia da humanidade. Para Mitchell, porém, o mais extraordinário dessa jornada ainda estava por vir.
Somente quando os astronautas voltavam à Terra é que Mitchell sentiu o que descreve como “um senso de conexão universal”. Ficou claro para Mitchell que ele e o planeta para o qual estava retornando eram uma e única parte integrante do cosmos. Não foi um entendimento intelectual, mas uma epifania visceral. Ele compreendeu que todos pertenciam a um processo universal. O próprio cosmos parecia ser, de algum modo, consciência.
Ao retornar, Mitchell descreveu essa epifania de maneira poética, e seu texto serviu de inspiração para toda uma geração dos anos 70, tocada pelo comentario da “terra como uma joia no universo, nossa unica casa”…
Seus comentarios inspiraram Paul Winter e Oscar Castro Neves a criarem a “Missa Gaia”, com soons de baleias e golfinhos, que foi levada ao altar de muitas igrejas do mundo inteiro, como um concerto/missa. Eu assisti na Catedral de São Francisco, na California, em prantos.
Tendo estudado no Massachussets Intitute of Technology, Mitchell sentiu que precisava reconciliar o que sempre havia considerado separado, tanto em sua vida como na mente ocidental: ciência e religião.
No Stanford Research Institute, realizou pesquisas de vanguarda na esperança de entender o que permite a ocorrência dos fenômenos telepáticos e telecinéticos. Em 1972, fundou o Noetic Sciences Institute, que financiava estudos sobre a consciência, que ele julgava vital para a compreensão de nós mesmos e do universo.
A sua história culmina num novo modelo da realidade, que incorpora a consciência na equação de como o nosso universo, um universo ciente de sua propria existência, opera. Mitchell delineou brilhantemente como a exploração humana do espaço sideral e do espaço interior representa o proximo estágio da evolução da própria vida. Em seu livro “The Way of the Explorer”ele fala dessas duas viagens, a interior e a espacial, que estão alterando como realizamos o milagre da existência.
Nós o trouxemos ao Brasil em 95, para a conferencia Imaginaria - Arte, Ciencia, Economia e Espirito numa visão de futuro realizada no SESC Pompeia. Foi um lindo momento vê-lo compartilhando o palco com o brasileiro Amir Klinc, nosso explorador dos mares. Ou ve-lo discutindo com o xamã americano que trouxemos também à conferencia, o chefe indigena Chumash Grad Father Semu Huaute. Ou ouvi-lo falar do Ponto Zero de Energia (Zero Point Field) como uma solução para os problemas de energia do planeta, no futuro. Ele voltou ainda algumas vezes ao Brasil, e no final da vida acabou, por causa da distorção de algumas declarações pela midia, sendo visto como um defensor da ideia de que somos visitados por outras civilizações. Ele realmente viu luzes seguindo a nave Apolo, mas nada além disso. Sua preocupação estava dentro da consciência humana, quando acessa através da meditação e da mindfulness esse ponto zero de energia, o que leva à iluminação.
Soube hoje que Edgar Mitchell faleceu dia 4 de fevereiro de 2016. RIP!