Diário do fermento vivo
Larissa Martins
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Que cara linda a desse pão! De se orgulhar. Eu estava bem curiosa também sobre como ia sair a receita — especialmente porque sabia que você ia usar a proporção do Luis Americo Macedo. E eu nunca consegui fazer aquela receita pelo mesmo motivo que você: o pão fica tão mole que a gente não consegue dar forma nele. Não acho que seja uma questão do tempo que você deixou fermentando, embora, é claro, valha outra tentativa com essa proporção da receita. Eu já fiz algumas e ainda não me acertei com essa. Os melhores pães de fermentação natural que eu já fiz foram com as proporções sugeridas pela Neide Rigo, no Come-se, e do Peter Reinhart. Desse último, recomendo um TED dele bem legal, pra você conhecer um pouco do que ele faz.

Lembrei de vir comentar seu texto porque o padeiro aqui em casa está assando uma ciabatta hoje. (O padeiro é meu companheiro: ele curte mais fazer pão, e eu costumo deixar pra ele esse fazer, com raras exceções). A ciabatta é um tipo de pão de massa mais mole mesmo, que precisa de mais água. Ainda assim, diferente do pão do Luis Americo, ele dá forma. Ao colocar a massa no forno aqui, o Gustavo (meu companheiro) ainda comentou que no caso das ciabattas precisava de arrumar uma superfície pra transferir o pão pra pedra, pra ajudar que ele não perca tanto o ar de dentro dele na transferência. Isso ia ajudar a deixar o pão mais fofinho. Fiquei pensando (e comentando com ele) que quem sabe essa proporção do Luis Americo não funcione melhor com um transferidor, mas é difícil porque o nosso pão nunca nem conseguiu dar forma… Um mistério mesmo, que eu adoraria entender.

Teste outras receitas sim, e se tiver ânimo, continue dividindo as experiências com a gente. O fim do seu texto diz tudo: é muito bom enxergar a cozinha com outros olhos e poder ter esse cuidado consigo. E não tem erro: continuando a fazer experiências de pão, no mínimo, você vai comer muito bem :)