eu gosto de comer. essa é uma coisa que poucas pessoas sabem sobre mim. talvez elas até saibam, mas eu costumo esconder. mas faz alguns anos que eu não como somente porque gosto de comer. eu como muito principalmente quando estou muito ansiosa, o que acontece com mais frequência do que eu aguento, inclusive com casos de taquicardia e afins.

eu estou de mini-férias tem 2 semanas e por estar mudando toda uma rotina que tinha há dois anos e por não ter nenhuma obrigação com horários, eu tenho passado bastante tempo em casa. um tempo gasto de maneira desmedida e descontrolada, devo dizer: eu tenho visto mais séries do que o normal, num nível que eu estou terminando Friends, com talvez um pouco mais de um mês que iniciei a maratonar; e eu tenho comido com uma frequência enorme, já que estou em casa, tenho mais tempo para cozinhar, mas também tenho pedido muita pizza. (esse parágrafo não tá fazendo muito sentido, mas vou deixar. vou ser Clarice Lispector¹ e não revisar meus textos ;)

pizza s.f. Iguaria, sob a forma de torta, feita de massa de farinha de trigo e guarnecida com queijo, tomate, anchovas etc.

pizza é com quase toda certeza minha comida preferida. eu gostaria muito que existissem pizzarias abertas no almoço, assim eu poderia comer, digerir maravilhosamente bem durante o resto do dia e ir dormir leve, feliz, satisfeita, digerida. mas a pior consequência da pizza é comê-la de noite. vamos lá, eu chego a comer, facilmente, metade de uma pizza grande (normalmente peço metade marguerita, metade banana), além da metade mínima, eu tomo refrigerante (o que tenho tentado parar, hoje fazem 3 dias sem tomar), ou seja, eu fico realmente satisfeita. logo depois, meu estômago tá ali feliz, abraçando gentilmente a bomba calórica e ele fica mandando sinais para o cérebro falando: “migo, vamo dormir, que preciso de muito tempo aqui pra digerir. se você dormir logo, eu consigo digerir mais rapidamente.” cérebro querido obedece. mas… uma das grandes dificuldades que eu tenho para dormir:

  1. dormir bêbada: não existe essa opção, ainda mais depois de adulta. eu chego, tomo água, tomo banho, troco de roupa, tomo mais água, como alguma coisa, falo com as gatas, mais água, vejo um episódio de algo no Netflix e quando eu me sinto menos bêbada, cabeça sem girar, tudo limpo, aí é que eu vou dormir.
  2. dormir de barriga felizmente cheia: não existe opção de dormir com a comida querendo voltar, apenas não. então eu tenho que pacientemente esperar digerir um pouco.

por que eu comecei a escrever tudo isso sobre pizza? because eu deixei de sair hoje de noite com um dos meus melhores amigos porque estava obsessivamente planejando comprar minha pizza metade marguerita, metade banana (que é incrível, pois é quase como se tivesse uma sobremesa inclusa). pois bem, eu tenho uma fama entre meus amigos íntimos de ser furona. a verdade é que sou mesmo. tenho preguiça de sair, tenho um pouco de alma de velha e eu ADORO ficar na minha casa. mas hoje eu me senti realmente mal. eu não deveria ter ficado em casa (e olha que eu driblei o pedido da pizza hoje), eu deveria ter saído. a grande questão aqui é saber o quanto da minha obsessão por pizza é uma fuga, uma vontade de sentir prazer, de me tirar um pouco do mundo real. a minha preocupação é estar deprimida e não tomar consciência disso.

¹ informação desnecessária: eu e Clarice Lispector temos mesmo signo, ascendente e lua

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