Mel, não sei se gosto de comer!

Quando eu era pequeno, na era FHC, a gente às vezes ficava bem apertado. Eu comia pouco, muito pouco, e tomava café. Tomava muito café porque matava a fome de maneira eficiente. E até hoje eu penso em tomar café quando bate a fome. Só na era Dilma as coisas melhoraram.

Não penso em comida como algo incrível. Na verdade, sempre tive problemas com comida. Sempre achei muito chato o modo como alguns amigos sempre estavam com fome ou enchiam o saco pra comer. Um em especial, o De Castro, me irrita bastante, não podia sentir fome que todo o universo deveria se mobilizar para que ele comesse! Mas não era por mal, claro, era fome. Fome é um sentimento que eu subestimei sempre, eu sempre tive medo de admitir que estava com fome ou que sequer sentia isso. Questão de honra. Não era a pouca oferta de comida que iria me derrubar. Neoliberal de merda aquele FHC.

Eu não me irrito mais com o jeito dos meus amigos. Eu tenho vários deles e se eu fosse me irritar por cada pessoa com fome que me aparece… aparentemente comer é grande coisa para a maioria das pessoas! Enfim, não sei se tem realmente algo que meus amigos achem em mim. Não me acho furão, nem sei se eles pensam isso de mim (eu não gosto muito de sair, mas meus amigos possuem outros amigos que adoram sair, não faço falta haha). Mas o que sei é que eles me acham meio distante dos problemas deles. O que é paradoxal, pois muita gente que nem é íntima se abre completamente pra mim. Fluxo menstrual, notas na escola, amores ruins e amores bons, não peço por essas informações, mas elas chegam até mim. Devo ter uma cara confiável. Na verdade, me sinto um personagem de mangá, como o Goku ou o Luffy, do One Piece. Conheço as pessoas e elas dizem coisas. Claro que pra muita gente eu devo ser um otário, mas eu acho a maioria das pessoas umas otárias também, estamos quites, então.

Não faz muito tempo que eu percebi que vinha me distraindo mais e mais. Eu não me sinto sozinho, não me sinto doente, mas me sinto um pouco triste. Acho que a depressão, pra mim, é a minha dependência de informação. Eu leio jornais e blogs e assisto o horário político e perco muito tempo em grupos no fb consumindo todo o tipo de informação. Me distraindo, sabe? Concluí que a sociedade é uma armadilha definitiva. Acho que isso é depressão, tenho pensado em meios de distrair todo mundo, também. Não saberia dizer se sei perverter o jogo da sociedade, acho que aprimorá-lo seria extremamente mais fácil. E isso é depressão, pra mim.

Eu te queria livre e me queria livre, também, mas é mais fácil dar nós que desatá-los. A letargia é oposta, aqui. É letargia por querer me movimentar e entender e formalizar e reforçar meus métodos. Mas tenho lutado contra isso. Toda intenção pode ser boa e resultar em boa ação, então meu foco é esse, a boa ação.

Eu como pizza às vezes e só li um livro da Lispector. Quem emprestou foi alguém que era minha amiga e eu briguei, haha. Passou, entretanto. Tenho 23 anos e um milhão de amigos e não me sinto só. Nunca vou esquecer dessa pessoa que me emprestou esse livro. Nunca vou esquecer de informações sobre um cara que conheci em Belém, 2012.

É estranho como a química do nosso cérebro afeta as nossas vidas, mesmo eu e você sendo duas pessoas tão diferentes, não é?

Tem um erro nesse texto, informacional mesmo, mas não vou corrigir. O livro era “o livro dos prazeres, ou UMA APRENDIZAGEM”.

Gosto do segundo título.

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