Oi, Mel.

Eu estou lendo um outro livro do Murakami no momento. Na verdade eu já o li antes, mas resolvi ler mais uma vez. É um livro sobre escrita e sobre corrida! Talvez tenha algo a ver com dança, será? Eu realmente não sei. De toda forma, gosto dos conselhos dados tanto no dance3x quanto no do que eu falo quando falo de corrida.

“sem isso (concentração) não se pode realizar nada de valor, ao passo que, se você for capaz de se concentrar eficientemente, conseguirá compensar um talento errático ou até a falta de talento”, diz o Murakami. Se você tem tentado dançar, não importa por quanto tempo, eu tenho me esforçado em me concentrar. Claramente somos pessoas diferentes com gostos parecidos, haha. Não me considero pessimista, acho que sou um realista que acredita sobretudo na sorte! Então tenho minha dose de otimista. Na verdade, em todos os romances do Murakami eu reconheço a forte tendência realista dele. As coisas são como são, nos resta escolher o que pode ser menos prejudicial. Acho que é no Kafka à beira-mar que ele diz que fechar os olhos não vai adiantar de nada. Nós os abriremos e tudo estará pior. Assim é a vida. Gosto de pensar como o Murakami, mas a verdade é que eu realmente acredito na possibilidade de felicidade: sempre!

Não sei se tenho dançado. Ultimamente tenho estado deprimido com o lugar onde estou. São Paulo é diferente de Fortaleza. Mas se eu fechar os olhos, não estarei em minha cidade. Não terei sequer a lembrança do cheiro do mar. Dançar me parece, inclusive, um problema — não consigo me envolver com a música daqui! De certa forma, entendo o que o personagem de CC sente. Estar sem aqueles que você ama, ou mesmo não ter a certeza de que esse sentimento de amor é possível, é mesmo dolorido. Parece sempre que há cadáveres nos esperando em algum lugar. A luz possível é a que entra por uma janela suja, apenas isso.

Na realidade, me pergunto sempre se sei dançar. Acho que não. Me movimento da melhor forma possível, mas sei que nada aplaudirá. Acho que por isso tento ser otimista, minha performance só depende de mim, eu sou a única plateia e os críticos que existem são todos “eu e meus momentos”.

Talvez a distância da minha casa, do meu amor, tenha me distanciado um pouco do espetáculo. Tenho apenas balançado a cabeça e cantarolado! Acho que acabei ficando ligeiramente deslocado de todos os meus momentos. Os passados e futuros. Isso daria um romance do Murakami, acho. Mas sinto falta de algo muito banal, das ruas de Fortaleza e do cheiro da cidade. Isso não sei se seria contado. Talvez fosse.

Enfim, não posso dizer que segui alguma vez algum conselho com completa determinação. Sempre paro no meio do caminho. Algumas pessoas não obedecem nem mesmo a realidade batendo à porta. Mas isso não é ruim. Talvez quando a minha música tocar, eu dance. Dance três vezes mais do que jamais dancei.

Ainda tenho que me concentrar muito para que essa música toque. Será que você é tão dispersa quanto eu? Será que alguém não é?

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