Quando eu era criança, eu morava com minha mãe e também passamos por momentos difíceis de grana. Mas acho que criei uma relação contrária à tua com comida. Eu percebo que eu fico ansiosa por comer, ainda mais se a comida parecer boa de verdade… Eu consegui controlar (não fui reeducada alimentarmente) por muito tempo, mas a vida adulta traz, no íntimo das histerias cotidianas, alguns velhos hábitos pra tentar compensar a merda que é viver. ☺

Eu nunca fui diagnosticada com depressão, mas já fiz terapia. O que me deixava mais deprimida a cada sessão, então eu resolvi que eu não precisava daquilo mais. Mas o estado depressivo, pra mim pelo menos, é como se fosse a tristeza, só que consciente. Como se todos aqueles motivos pelos quais ficamos tristes fossem racionalizados e colocados em tabelas do excel, com 3 vias assinadas e registradas em cartório. O estado depressivo, em mim, toma conta de vários pensamentos, tem peso e não passa com um choro na cama antes de dormir. Ele é latente. Mas algumas vezes eu percebo que, por ele ser consciente, é possível sair dele um pouco. Alguns momentos, semanas, até o próximo baque.

Eu me sinto mais deprimida quando me sinto sufocada pela rotina que eu mesmo crio para me manter sã. Eu não conseguir cumprir com meus cronogramas ou não fazer nada, me deixam com taquicardia. Eu respiro bem devagar, profundamente até passar. Mas não dá pra controlar a respiração enquanto durmo, e às vezes, nos picos de ansiedade, acordo com o peito vibrando. Eu respiro tudo de novo e passa.

Não são sensações contínuas, mas eu tenho tido há algumas semanas. Eu sei que é cíclico, que vai já passar. Eu me vejo racionalizando tudo. Vai passar.

Tenho 25 anos e tenho o peso de que com minha idade minha mãe estava me parindo. Faltam 5 anos para eu fazer 30. Será que me formo a tempo? Por que eu perdi tempo em outras graduações? Será que um dia eu vou conseguir me sentir satisfeita, realizada com uma obra minha? Será que eu vou conseguir fazer as pesquisas que quero? Será que vou ser uma boa professora? Será que vou voltar a trabalhar em museu?

Essas perguntas todas eu sei que não têm resposta, eu sei que não deveria me estressar por elas, mas a gente acaba se apegando e trilhando um caminho planejado a curto e médio prazo. Fazendo planilha no excel, fazendo conta, passando no débito, no crédito, esperando pra comprar o pão na padaria, colocando cortina na sala…

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