Epifania sobre a escrita…

… Eu escrevo… tu escreves … el@s escrevem… mas o que queremos dizer? Quais as explicações que queremos dar? O que será que quando escrevemos estamos tentando dizer?

A problemática do exercício de escrever é que além da dificuldade de arranjar os parágrafos de forma linear e com um sentido, no turbilhão que é minha mente, é que não tenho com quem argumentar o que estou escrevendo. Alguém que me mostre outras opções, acabo que em um diálogo do eu com eu mesmo… Meus monólogos desconexos das minhas frustações, alegrias, raivas e todo este mundaréu de sentimentos que cabem aqui.

Até que ponto isso pode ser positivo não saberia dizer, mas não deixa de ser uma descarga mental das ideias que voam perdidas como um colibri numa tempestade em minha mente. Tento agarra-las e as olhar de perto, para a partir daí entende-las.

Este ano tem sido um poço de dúvidas para mim, talvez por isso tenha tido um pouco de medo da folha em branco. Fiz alguns desenhos, rabisquei algumas frases, mas textualmente não houve produção. Talvez alguns e-mails para algumas pessoas onde tentei expressar algo, mas nada de enlaçar pensamentos soltos, e olhar eles de perto, acho que é medo do que possa ver…

Sempre vivi de forma intensa, e tenho sentimentos muito intensos, e acho que a bagunça mental que ando — como quando tentamos arrumar o guarda-roupa e colocamos todas as roupas na cama, e desistimos no meio do processo — me fez simplesmente empurrá-los para o lado e deitar no cantinho.

Mas nunca é tarde para organizar, e então, tentarei por mais uma vez, manter um diário virtual — odeio a palavra blog — acho o termo diário mais apropriado para o que busco fazer, já que a escrita não seria algo singularmente do mundo das ideias? Ela, mesmo sendo expressão não é subjetividade já que é apenas o ponto de vista de um? Fará ela parte do mundo sensível, somente pelo fato de ser palpável a todos? Obviamente que posso alterar este post 100 vezes, mas continuaria sendo expressão de minha subjetividade, de minhas experiências e de meu entendimento sobre as coisas. Partindo daí, faz alguma diferença ela está marcada nesta folha em branco para alguém além de eu mesma, se o que foi escrito é expressão única? Eu não sei você, mas toda vez que tenho uma ideia e que quero “desenha-la” eu preciso argumentar sobre ela com alguém.

Como diria Habermas “…não é a relação de um sujeito solitário com algo no mundo objetivo que pode ser representado e manipulado mas a relação intersubjetiva, que sujeitos que falam e atuam, assumem quando buscam o entendimento entre si, sobre algo” Basicamente — falo, logo existo!

Ninguém está me lendo aqui mesmo. Estranho isso, mesmo que esteja para todos, quantos de vocês verdadeiramente perderam o tempo com as esquisitices alheias? Escrevo, logo me dou conta do que é importante trazer para o mundo real e falar sobre, e o que deve ficar no meu mundo das ideias…

Assim: Escrevo, logo sensibilizo meus sentimentos…


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