O afastamento total como sinal de exaustão

Sempre recorri a esse recurso. O primeiro que eu lembro foi na sétima ou oitava série. Fui amigo de um pessoal desde o prézinho ou jardim de infancia, não sei. até a quarta série todos tinham o mesmo nível de amizade, até surgir um pessoal fingindo que era de gangue, umas menina ganhando corpo e popularidade, outros menino andando de skake e mostrando pra geral, outros forçando ser a turma do fundão e fazer piadinha sendo que nunca foi assim… enfim…… se formaram grupos. O meu tinha uns 4 ou 5 amigos homens e tínhamos proximidade com um grupo de gurias também, ambos nada populares. Cada um desses amigos desse grupo falava mal do outro pra mim e eu me mantinha quieto. Um dia cansei disso tudo e passei o recreio com a turma dos excluídos, foi bacana, comecei a criar intimidade com o pessoal, sou muito empático, nunca mais larguei essa turma até mudar de colégio no ensino médio. A mãe de um desses meninos ligou pra minha mãe pedir o motivo do meu afastamento. Eu menti e disse pra minha mãe que eles pediram pra eu não andar mais com eles. Fui desmentido por todos. Só disse pra aceitarem, seria melhor pra mim. Hoje, mesmo sem me perguntarem nada, entendo o mesmo: vivo melhor e de forma mais leve bem isolado.
Hoje tenho uma relação com minhas amizades (vou chamar assim nesse texto mesmo não sabendo se é a melhor palavra pra definir) que nunca tive em momento algum na minha vida. Qualquer pessoa que eu tenha um mínimo de afeto, para mim, está na mesma distância, não me sinto próximo de ninguém. Perdão a quem ler isso (as 3 pessoas que leem) caso você achasse que fosse super próximo e valioso pra mim. Valioso talvez seja mas tens que concordar que estamos afastados. Sinto que todo pessoal que me relaciono tá distante: familiares próximos, amigos do ensino médio, amigos da primeira faculdade, amigos do Caxias, amigos da segunda faculdade, amigos virtuais do twitter e discord de um humorista non sense brasileiro. E talvez vocês não tenham culpa nenhuma nisso, só sou extremamente vulnerável a toda toxidade que vem a reboque nessas relações. Aos familiares, a distância física e de diferentes tipos de conhecimento e papo ajudou. Amigos do ensino médio também. Aqui neste grupo há uma interseccção com o grupo de amigos da primeira faculdade, já que não consigo ficar muito tempo em grupos de whats dessas turmas. Foi mal. Não consigo engolir uma luta por quem tem mais glórias, gosto das pessoas derrotadas e que riem da desgraça. Também não aceito piada com valores essenciais pra mim. Ser conhecido como o cara que faltou tal role porque tava mal de cabeça por conta da Marielle não é demérito algum. Se acham demérito e motivo de graça, mais um ponto que demonstra a atitude correta de afastamento. Sem contar objetificações, fofocas e desprezo por pessoas que fizeram parte das histórias das pessoas. Não consigo engolir, foi mal. Talvez o erro seja eu, mas seguirei errando desta forma. Aos amigos do segundo curso, foi mal, mas não eu acho que não gosto tanto de vocês quanto vocês gostam de mim ou vocês tentam demonstrar por mim. O aniversário pra mim foi uma bosta, todo mundo fico no celular 80%, o drink custava 23dilmas, depois ler textozinho de amor no instagram foi demais. Sigamos juntos, unidos, mas não entendo vocês, se é algo forçado ou realmente gostam daquilo que foi lá.
Finalizo com um “prefiro ser ausente do que ser amigo ruim” do Jonathan Tadeu em “Vamo marcar de sair?” do álbum Sapucaí. Ah, e “tudo acaba em Março” da música “Março” e o Interlúdio tem referência à Marielle. Se as pessoas não entendem meu posicionamento, não posso fazer nada. Talvez isso tenha sido uma carta aberta, mas ninguém lê. Ah, e não é indireta pra ninguém, tampouco com o objetivo de querer mudar atitude das pessoas. Não duvido rolar print desse texto aqui dos grupos que não participo mais, antevendo o histórico de um pessoal. Talvez o mapa astral explique mas anoto cada vacilo meu e de cada um. Perdoo, é claro, se sentir arrependimento e busca pela mudança na pessoa. Muito mais difícil, pra mim, é perdoar a mim mesmo. Repito, esse texto não é uma mensagem pra ninguém, esse texto é apenas um jovem insone ouvindo o álbum novo da Céu numa madrugada de quarta pra quinta feira em Porto Alegre e querendo descarregar um pouco já que não conseguiu marcar terapia na clínica da UFRGS pela grande concorrência e alto número de ligações da última quinta. Ah, escutem o álbum da Céu e do Jonathan Tadeu. Considero eles meus amigos.
