Porque não vou tatuar um mapa-múndi nas costas e ir pintando os países que visito

Expediente, engarrafamento, pressa, estresse, reuniões e mesas de escritório são palavras que nenhum mochileiro suporta ouvir. Nós, viajantes, vivemos num universo de GoPro, Mochileiros.com, blogs de viagens, Hostelworld, Couchsurfing, Rayanair e MegaBus. Nosso estilo de vida é pautado por um só objetivo em comum: conhecer o mundo.

Viajar é nossa vida. Nossas redes sociais são repletas de selfies nas mais diversas paisagens do mundo, temos amigos mochileiros, trabalhamos para viajar, estudamos para viajar, compramos equipamentos para viajar e vamos à academia para termos um bom preparo físico na hora de encarar os trekkings.

Não há nada de errado em querer se aventurar por aí com uma mochila da Decathlon nas costas, passar perrengue, dormir no carpete do aeroporto, acordar às 3 horas da manhã pra ver o sol nascer no deserto, levar seu corpo à exaustão ao subir um vulcão, se hospedar em hostels etc… Todas essas coisas que fazemos por prazer e das quais nos orgulhamos tanto.

O orgulho é tão grande que fazemos questão de exibí-lo na pele pra todo mundo ver. Viajar é a minha religião, é o meu modo de agradecer a Deus pela vida maravilhosa que Ele me deu. E como todos deveriam saber, não existe religião certa. Algumas pessoas são felizes vivendo um bom casamento, criando filhos e reunindo a família toda no domingo. Outras encontram a felicidade numa vida saudável, com dieta low carb, acordando cedo e treinando pesado para “esmagar”. Há quem seja muito feliz tocando uma empresa, trabalhando muitas horas por dia e às vezes também aos fins de semana, eu acredito nisso porque já conheci pessoas extremamente felizes assim.

Eu me orgulho de ser quem eu sou, de viver para sentir o vento no rosto no cume de uma montanha, de viver para apreciar um pôr do sol num penhasco, de ter coragem de experimentar a adrenalina de um mergulho com tubarões. Minha tatuagem de viajante me traduz: uma paraense com o desejo de dar a volta ao mundo e ir além.

Eu não tatuaria um mapa-múndi nas minhas costas ostentando o número de países que eu conheço, pelo mesmo motivo que não invejo quem tem a minha idade e já esteve em todos os países do mundo. Números de países visitados, número de curtidas numa foto, isso tudo é líquido, efêmero, passatempo. Não quero consumir países, não me importo tanto com números, valorizo muito mais as experiências, os aprendizados e as pessoas, ou seja, tudo que me faz ser quem eu sou.

Não preciso de uma tatuagem do jogo ‘War’ nas costas. Já existem aplicativos pra marcar as cidades pelas quais passei. E convenhamos… tatuagem dói pra caralho.

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