Procura-se um namorado

‘Procura-se um namorado’ é o ‘Se o amor da minha vida não chegar’ parte II. Escrevi ‘Se o amor da minha vida não chegar’ num momento da minha vida em que finalmente percebi que a minha própria companhia me bastava… E nossa! Um ano se passou desde este último texto. Ser uma ótima companhia pra mim mesma atraiu muita energia boa. Algumas almas novas e lindas foram conectadas à minha. Aos 27 anos aprendi como é bom ter a felicidade complementada por amigos verdadeiros e também como é bom amá-los.

Mas é sobre esse homem solteiro, bem-humorado e inteligente que está aí procurando por mim, em algum lugar desse mundo, que eu quero falar. O meu recado pra ele é que estou procurando por ele também, mas não estou parada. Enquanto ele anda míope por aí, eu sigo Gandhi. Tenho me tornado aquilo que quero ver no mundo. Se eu quiser ver o cara dos meus sonhos, tenho que pôr a mão na massa e tornar-me essa pessoa que busco. Ficou confuso? Bem, eu sou confusa e não procuro nada mais do que um namorado confuso, viajadão e tão pisciano quanto eu.

Quero um cara viciado na sensação libertadora que é PAUSAR a vida cotidiana e ir viajar com uma mochila nas costas pra um país desconhecido. Alguém sem raízes, cujo raio de alcance coincida com o da Terra. Um homem que viva sua própria vida independente da minha, que não seja meu escravo, meu filho, tampouco meu pai ou meu juiz. Que esteja apto a acompanhar-me seja num jantar cinco estrelas com a rainha Elizabeth seja num jantar de camping sob a luz de mil estrelas, dividindo a panela de macarrão com salsicha e bebendo o vinho direto da garrafa.

Eu procuro um homem que não tenha vergonha de ser tão retardado quanto eu, que saiba fazer panquecas e outras gordices usando Nutella. Que ria das minhas piadas sem graça. Que suporte meus defeitos. Ele precisa falar pelo menos dois idiomas e estar disposto a ensinar-me coisas novas. Um cara que seja desapegado de bens materiais, mas que tenha condições de dividir a conta da hamburgueria comigo. E que sobretudo, seja feminista, irônico e de esquerda. Não há nada mais estimulante num homem.

Não sei se é pedir muito, mas estou fazendo a minha parte, estou sendo a mudança que quero ver. Pensando bem… ai não, pera… Tenho tanta coisa pra mudar ainda…

Então vamos fazer assim: se você está lendo esse texto e acha que se encaixa bem no papel de meu namorado… Por favor, me procure em 2019, terei 30 anos e muito mais histórias interessantes pra contar da minha fase de solteira. Agora, se você acha que esse homem não existe… A mulher existe. Prazer!

E se o amor da minha vida não chegar? Bem… você já sabe o que eu penso sobre isso.

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