Salmão > Homem

A coragem que falta ao homem, sobra ao salmão. Sim, me refiro ao peixe indômito do Pacífico, que bravamente deixa o mar em retorno ao rio onde nasceu para nadar contra a correnteza, contra as pedras que como muralhas se impõem no trajeto, contra os ursos pescadores à espreita que o Discovery Channel sempre destaca, contra tudo e contra todos para simplesmente ser fiel a sua natureza. Para desovar e fertilizar. Para pôr pra fora e cumprir o seu chamado, mesmo que isso lhe custe a vida.

Vale aqui um adendo. Imagino que a única comparação cabível entre o ser humano e o animal de barbatanas seria se estivesse falando do salmão de cativeiro. O que vive num tanque abarrotado de outros peixes, nadando no automático, chafurdado na própria merda e comendo ração derivada de petróleo. Mesmo assim, confesso que acho a analogia injusta, pois o pobre do bicho não se aprisionaria voluntariamente se tivesse direito à escolha. Posto isso, deixo de lado o peixe encarcerado e infeliz, cujo o destino quase sempre é uma bandeja de self service, sem mesmo nunca ter vivido uma única aventura ainda que derradeira, e volto a reverenciar o seu primo selvagem, que é, sem dúvida, mais interessante.

A ciência diz que o cérebro humano é um computador extremamente complexo, capaz de simular todos os perigos que poderiam surgir numa eventual jornada. É como se fosse um sistema onde as nossas ações possíveis são conjugadas no futuro do pretério. Aquele futuro da incerteza. Do pode ser que aconteça ou não. Contar com essa ferramenta seria a uma prova da nossa superioridade como espécie. Só que diante do dilema, nos rendemos às opções menos corajosas. Somos vencidos pelo medo.

Pois bem, o salmão é um herói. Adivinha quem é o covarde?

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