A produção e o consumo da música: das majors às nuvens
Wagner Rodrigues
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Bacana.

Como alguém que sempre ouviu e comprou o formato, eu diria que o vinil vai permanecer como “o” formato físico para quem curte, digamos, ter a música em mãos. Não sei se comento a respeito da qualidade de som pois apesar de muitos de nós apreciarmos o som do formato e isso também pesar na decisão de investir, os (re)lançamentos atuais muitas vezes são praticamente CDs passados pra vinil. O vinil, na verdade, nunca saiu totalmente de mercado (inclusive existem albuns maravilhosos da década de 90 que foram lançados no formato na época mesmo, como a absoluta obra de arte The Boatman’s Call, do Nick Cave & The Bad Seeds, bem como reedições de clássicos como o White Light/White Heat do Velvet Underground, que teve uma reedição em LP no ano de 1996), o que ocorre é que agora anda tendo essa — e me desculpem a franqueza — modinha hipster e o povo tá caindo em cima. Depois que isso passar, assim como uma fogueira vai se apagando, penso que o formato permanecerá para nós que curtimos ter o material de forma física.

Quanto ao cassete (ou K7 como ficou aqui no Brasil), é o esquema da modinha hipster: os caras tão caindo em cima de tudo quanto é formato antigo e lo-fi pra parecerem “cool”. Aliás, nem é só na área da música: ultimamente tá na moda mesmo o tal do “vintage”. Tem até um pessoal aqui no Brasil que há um tempo atrás começou a produzir disquinhos lo-fi quadrados com arte, um formato que antigamente era apenas pra fins de divulgação ou que países pobres faziam por não ter acesso a coisas melhores. E eles cobram relativamente caro pra fazer isso — mas é “cool”, ui. Eu não quero julgar ninguém, e também nem acho que tenho este direito, mas isso é “fogo de palha”: daqui a ‘x’ anos os caras pulam pra outro barco.