O que torna você um profissional competente
E porque tem gente que leva isso a sério demais
Se tem algo que machuca um profissional — seja ele do mercado que for — é ter sua competência colocada em jogo. Em quase duas décadas trabalhando, já passei por algumas dezenas de vezes em que ouvi que minha capacidade de entrega estava abaixo do esperado. E mesmo que tenha sido demitido duas vezes (ambas por motivos que apenas tangenciavam a competência), me doeu muito mais ouvir que não sabia fazer algo por falta de capacidade de cumprir uma demanda.
Mas será que é justa a avaliação de competência? Digo mais: será que quem avalia é capaz de fazer algo melhor do que você está fazendo? Na pressão, ainda coloco: essa determinação está atrelada ao sucesso do que você está fazendo ou apenas ao fato de você não estar realizando algo exatamente da maneira que o avaliador espera?

Na prática, o que quero dizer, é que para mim a competência está atrelada à capacidade humana de atingir a expectativa e não necessariamente ter sucesso, seja em qual atividade for. Por isso é tão complicado atuar em um ambiente de caos corporativo, sem clareza de processo, sem métricas ou direcionamento específico do que se quer de uma equipe. Quanto menos caminho, mais inconsequente será a avaliação.
Talvez por isso que a figura do sucesso do puxa-saco seja algo tão claro na nossa cabeça. Você já parou para avaliar que em uma célula de trabalho, quanto maior sua organização e direcionamento, menor a chance de alguém crescer apenas pela meritocracia de se o legalzão? Não que isso esteja coibido, mas, no longo prazo, tende a ser um importante corte de ascensão.
Recentemente comecei a ler Outlier, do Malcolm Gladwell, que tenta explicar como uma pessoa conquista o sucesso e como os fatores externos influenciam esse caminho. Não cheguei nem no segundo capítulo, mas já ficou claro que — quando se fala de determinar/escolher quem fará sucesso ou não — o ser humano é craque em errar, simplesmente porque se o avaliado não tem as características que você determina padrão, ele está fora (ex: um profissional comprometido e com foco profissional não pode ter filhos pequenos, ainda mais se for mulher).
Sim, é difícil estabelecer um parâmetro que impeça que injustiças sejam cometidas, que profissionais sejam taxados de ineficazes sem necessariamente terem culpa por isso, mas já passou da hora dos gestores perceberem que as avaliações precisam ter parâmetros e regras claras e, os avaliados, de que se alguém te acha incompetente por feeling, é problema dele.