É preciso aceitar a democratização das ideias (em podcasts)

Maria Juliana
Nov 2 · 4 min read

O podcast na faculdade de jornalismo é conceituado como mais um veículo de comunicação para jornalistas, mas o percebo como mais uma possibilidade de rede social para todos. O que parece aterrorizar os professores de rádio ou outros profissionais do curso porque de novo alguém poderá deter tal o quarto poder, ser especialista em ser especialista em algum assunto do qual a fonte em sua maioria é “vozes da própria cabeça”.

Eu poderia pegar essa mesma birra ou acolher o mito de que o podcast existe como o rádio moderno e que é também mais uma opção de plataforma para eu apresentar meu TCC e antes disso, é aquele que funciona como possibilitador de uma super reportagem com vinhetas, efeitos sonoros e outros artifícios organizados pela folha de sinalização, onde eu sou o “Loc1” e qualquer outro comunicador passa a ser secundário e claro, sem esquecer de gravar tudo no estúdio (aquário para os íntimos).

Mas não posso acreditar nessas verdades e é 2019, o Ocidente está em crise nesse sentido, não posso acreditar em tanta coisa mais, né? Vai por mim, é tempo de desconfiar até da sua sombra e para quem é jornalista de profissão e alma, a dúvida não é problema, checar algo 500 vezes é nossa sina.

Enfim, mesmo assim, essa não é minha verdade, nem que o ano fosse 2025. É que meu spotify com 44 programas de podcasts salvos evidenciam o meu vício pela plataforma há mais de 6 meses, sim, já é vício mesmo porque eu faço o download dos episódios sem ter a certeza de quando vou ouvir e acabo ouvindo no trânsito, tomando banho, lavando louça, lavando os tênis, organizando o guarda roupa e quando já fiz tudo e é hora de dormir, lá vou eu ouvir um programinha de meditação. Os inúmeros podcasts salvos funcionam aqui como minha experiência no assunto e acredite, eu não escuto só o “Café da Manhã” da Folha de São Paulo ou o Papo de Política do G1 — que inclusive é novo e é produzido por 4 mulheres incríveis do jornalismo (eu fãzona diria que da vida também) , então segue aqui uma propaganda de representatividade feminina, elas são: Andréia Sadi, Maju Coutinho, Julia Duailibi e Ntuza Neri.

Eu escuto de tudo! Ok, não tudo de fato, afinal minha questão aqui é: o mundo do podcast é infinito já que ninguém faz ideia qual é seu fim, ainda mais eu que escuto o Poema Pod, feito pelo psicólogo Luiz Cezar que recita todos os dias algum poema de um minuto e também o Projeto Humanos que funciona como uma minissérie de narrativas individuais e o lema é incrível e está em concordância com minha visão sobre esse mundocasting: busca mostrar que mesmo os atos humanos mais banais reservam enormes riquezas.

Ainda assim, esse universo parece limitado para os jornalistas, mesmo que Rodrigo Vizeu, o diretor do “Café da manhã” tenha dito na palestra “O sucesso dos Podcasts” do Informe-se para os estudantes da PUC que para ter sucesso é necessário construir um repertório a partir de suas referências. Porque na universidade as referências passadas de professores para os alunos mais parecem com aquelas que os professores receberam quando eles ainda eram os alunos.

Não é exagero meu, pois por mais que a transmissão de informação por áudio seja mais democrática por não exigir um certo padrão físico da TV (sem tatuagem, coluna reta, gesticulação de mãos, mas nem tanto), é exigido uma voz muito bem empostada com uma dicção impecável porque é semelhante a um crime se você deixar sair um pouco de sotaque, a não ser que você seja paulista ou carioca, aí não é sotaque, é norma padrão.

Por fim, vou dar meu conselho sem que ninguém tenha pedido: busque mesmo suas referências, abra o browse da sua plataforma de stream e veja quantos milhões de conteúdos são possíveis, escute os plurais sotaques do nosso país e perceba além tudo a importância de todos os assuntos dessa vida, expressados em quantos minutos for necessário para quem fala. Depois disso você vai ver que suas histórias são relevantes, sem que precisem se encaixar em pautas.

O jornalista diz tanto sobre dar voz a quem não tem e o podcast é a realização de tudo isso, só falta cada um perceber o quão inspirador tudo isso é, mostra que além do jornalismo estar vivo, a comunicação está vivíssima e é mais um passo em direção à democracia que anda tão enfraquecida. O diploma é um direito nosso, temos o diferencial nisso de informar, mas se expressar é inerente ao ser humano, contar histórias é algo ancestral e não se enquadra em padrões acadêmicos (e nem deve). Então, deixe o povo falar e escute-o!

Maria Juliana

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Minhas palavras, meus sentimentos — equação igual à cura. Tudo é intuitivo e um pouco amparado academicamente (estudante de Jornalismo e Letras & astrologia :-)

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