A Metáfora do Vinho

A moça não menina quase mulher era dos vinhos. Maitê com quase 18 anos, quase adulta pois assim é na América do Sul, estava em uma noite de bom calor em um bar, bar que gostava pela conversa e pelo jeito boêmio, já que o sertanejo das músicas perdia a graça ao decorrer dos refrões e as pessoas ficavam cada vez mais toscas quando esvaziavam a cerveja dos copos.

Maitê que se importava com a mente e corpo costumava dizer e cumprir que jamais seria cervejeira, credo, maldita bebida de cheiro ruim que incham e enchem todos.

Escritora, se imaginava cedo tomando café e a noite, vinho mas essa imagem não era bebida pois de clichê já bastava 7 Bilhões de seres humanos, mas seu dilema era: o que degustar? Chá é ótimo mas quero ficar letárgica. Erva eu não fumo, puta negócio. deselegante.

Seguia com seu dilema, teria seu tempo para escolher com o que se embebedar já que a sua cena com taça era projetada em um apê de NYC e até essa conquista, ficaria só na água.

Isso a incomodava, era um daqueles incômodos chatos com zero relevância mas ainda sim existente.

Vinho continuava sendo uma opção, queria se convencer do gosto, até assistiu a um documentário para ver se assim criava um novo apreço porque até então, suas experiências com vinhos tinham sido em santas missas e é preciso dizer que nem vinho era, era sangue.

Passou, já estava mulher mesmo. Chegou onde queria, realização checada. Mais velha estava, mais madura e modelada, suave não diria, seca é que estaria.

Antes de conhecer as manhãs da cidade das luzes, foi conhecer de fato essas tais luzes em uma boate gostosíssima de tanto jazz, pop ooww, indie eaaaa.

Nervosinha por enfrentar o idioma porém grata por se ser. Outros também agradeciam sua existência, so soft and hot quase sad but fab.

O lugar era mais agitado que o barzinho de antes, lá o nível era gym tônica certeza e ela se alagou de drinks e derramou um sim à proposta de um gringo bem menos charmoso dos que costumava ver no Brasil. Com mais três taças ele ficaria tão gato quanto e assim foi.

A proposta era indecente e tudo bem. Oi, bem vinda. Você é linda. Oi, quero sim me divertir. Seca.

Pegaram um táxi, o homem estava acabado, ela estava quase lá.

Chegando na casa da não ruiva, ela transbordava asperidade, ele mais liso. O tesão se habitou. O indecente estava para chegar.

Uma amiga desse homem estava sexy and sexy, Maitê viu o que era vinho. Aquela ruiva fez ela ficar bêbada antes do previsto. O ménage foi uma delícia, molhado, cheio de curvas e firmeza, todos beberam e se limparam com o seus cabelos cheirosos à la guardanapos.

Cedo a dona do apê acordou, todos foram embora, sinal de garrafa vazia, as uvas daquele vinho vinham de safras turbulentas. O cedo estava do jeito bom, ela iria se pôr a brilhar de tão limpa, como taça e depois leria tomando chá em um quiosque bem Europeu no coração daquela nação Americana.

Folheando o cardápio em meio às memórias dos seus espasmos da noite, percebeu ali outra realização: vinho pra ela é metáfora, é ficar louca sendo bebida, é ouvir a rolha sendo sacada com bocas que gemem. Assim foi que Maitê, tonalisada matte, superou e suspirou seu problema bebendo.

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