Solita

Mães, ensinem suas filhas a brincar, comer, se divertir, viajar sozinhas — quero dizer, na melhor companhia que elas podem ter nesta vida. É o maior presente que vocês podem dar a elas.

Hoje, eu, eu mesma and my lovely self fomos conhecer o Suna, um restaurante/mercado orgânico fofo perto do escritório. Sempre passava por ele para ir a outros lugares em Chapinero Alto e ficava com a maior curiosidade. O lugar é um show, com um cardápio cheio de sucos, saladas, sopas, sanduíches e pratos quentes altamente nham-nham. Nem vi as sobremesas, mas devem estar no mesmo nível. E há várias prateleiras com lanches naturais para levar. Bem a minha cara.

Logo na entrada, há uma mesa comunitária para quem chegou sozinho ou está esperando vagar as mesas convencionais, mais para dentro do restaurante. Peguei um lugar ali e pedi um bowl com uma mistura de ingredientes que fariam Bela Gil me dar estrelinhas douradas.

Pouco depois que comecei a comer, sentaram-se do outro lado da mesa uma mãe — um pouco mais nova que a minha, calculei — com seu filho, que devia ter uns 25 anos. Estavam preenchendo formulários para ele emigrar a algum país de língua inglesa, e me chamou a atenção a total falta de paciência dele com a mãe.

Lá pelas tantas, ela pergunta baixinho ao filho:

— O que é isso que ela está comendo?

— É um bowl, tem aí no cardápio.

— Nossa, olha essa moça comendo sozinha. Nunca faria isso, não consigo.

Ela falou isso com um tom de peninha, certamente contando que eu seria surda ou não falaria espanhol, e não deve ter ficado muito confortável quando olhei para ela sorrindo e perguntando “Hola, cómo estás?”. Ela sorriu de volta e me disse:

— Estava dizendo ao meu filho o quanto te admiro por sair para almoçar sozinha. Eu não consigo fazer isso. Quando não tenho companhia, fico no escritório mesmo.

— Sabe, a minha mãe sempre me falou da importância de a gente estar bem na própria companhia. Viajar, comer sozinha. E até brincar sozinha, quando as minhas amigas da escola estavam brigadas.

Falei da minha vida, ela me falou da dela e me contou que seu filho estava indo morar em Londres, por isso os formulários. Antes de ir para as mesas do fundo reconheceu:

— Os filhos têm que saber estar sozinhos mesmo.

Pensei: claro, minha senhora, senão viram aquelas pobres figuras que viajam sozinhas e passam o tempo todo pedindo serviço de quarto pois não têm coragem de botar a cara na rua, por medo do que vão pensar.

O jovem saiu correndo da mesa, sem se despedir, e fiquei só imaginando o tamanho da catracada que ele deve ter dado na mãe.

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