Su merced

Vocês conseguem imaginar alguém falando “vossa mercê” em português em uma conversa normal em pleno século 21? Só se for em uma novela ou filme de época, né? É por isso que, na primeira vez em que a diarista lá de casa me chamou de “su merced”, quase caí para trás, e ao mesmo tempo eu nunca consegui achar uma forma ok de dizer “menina, por favor, não precisa dessa formalidade” porque a cultura de serviços daqui é muito formal mesmo.

Corta para o dia de hoje, meu amado dia de folga, quando vim para o Mercado de Paloquemao (vou escrever sobre isso depois). Passando pelos corredores, vi uns comerciantes passando com aqueles enormes carros de mão de feira e se tratando (sem ironia!) de su merced e decidi que era chegada a hora de pesquisar sobre o tema.

Pedi um suco de laranja com cenoura numa das banquinhas daqui e encontrei este ótimo link explicativo. Em resumo, é uma forma de tratamento ainda usada pelos camponeses do altiplano cundiboyacense (bem na zona onde está Bogotá), o que talvez explique ser usada pelos vendedores do mercado de frutas. Também é usada, infelizmente, em relações conhecidas pela alta diferença de hierarquia (patrões-trabalhadores domésticos, por exemplo), mas parece que pelo menos esse tratamento está em franco processo de desaparecimento.

Finalmente, usa “su merced” quem gosta de uma linguagem mais vintage (gírias idosas, saca?), como artistas e jovens hipsters.

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