O novo Marketing e a supremacia dos valores
Turbulência política, retração econômica e transformações culturais evidenciam uma revolução nas relações sociais e novas oportunidades de mercado. Somos testemunhas de um tempo em que marcas e consumidores vinculam-se a partir do intercâmbio de valores comuns.
De um lado, retração econômica, crise política, limitações do Estado, reconfiguração das mídias. De outro, economia criativa, valorização do capital social e intelectual, diversidades em evidência e consumidores assumindo-se como produtores de informação e influenciadores de opinião. Mundo, mercado e sociedade passam por uma transição irreversível, na qual o obsoleto está sendo transcendido para dar lugar ao novo.
A experiência de atravessar uma época de declínio de um modelo conhecido de comunicação entre marca e seus públicos, originando condição para a constituição de outra proposta social e econômica traz, em si, chamado e lição. Sistemas, vínculos e relações entre empreendimentos e consumidores não deixarão de existir, mas, definitivamente, não serão os mesmos.
Como transformação social é transformação de mercado, da crise emerge um cenário de novas e grandes oportunidades. Nesse novo contexto, alicerçado na interatividade, valores pessoais e corporativos são prioridade para posicionamento e tomadas de decisão.
Segundo dados do Brasil presentes no último estudo Earned Brand, realizado pela agência Edelman Significa, 66% não comprarão se a marca não tiver compromisso social; 75% dizem que fazer o bem deveria ser parte do DNA da marca; e 68% acham que as marcas podem fazer mais do que o governo para solucionar problemas sociais.
Outra evidência deste cenário está nos resultados de outro estudo da Edelman. Conforme dados levantados pelo Trust Barometer 2017, que mede a confiança da sociedade nas instituições, a credibilidade dos líderes empresariais caiu em todos os 28 países pesquisados. “Em termos globais, uma pessoa comum (60%) é uma fonte de informação sobre empresas tão confiável quanto um especialista técnico (60%) ou acadêmico (60%), e muito mais confiável do que um CEO (37%). No Brasil, a pessoa comum lidera o ranking de credibilidade (78%), seguidas por especialistas técnicos (67%) e acadêmicos (65%). Os CEOs perderam 18 pontos, atingindo a marca dos 48%, praticamente empatados com funcionários (47%)”, aponta a pesquisa.
Uma conclusão é possível: não é mais aceitável negligenciar o conjunto de interesses e demandas do cliente, nem é suficiente apenas falar bem de si mesmo.
Reinvenção, diferenciação e consolidação
Portanto, reinventar a exposição do negócio é sair na frente na necessidade de integrar-se à nova era de relações entre empresas e consumidores, caracterizada pela predominância dos valores humanos na geração de resultados. Muito além de sobrevivência mercadológica, entregar ao cliente produtos e serviços alinhados aos seus valores pessoais — e comunicar isso com efetividade — significa diferenciar-se da concorrência e consolidar a marca como solução de qualidade e resolutividade.

Na moderna perspectiva de economia e sociedade, falar com seu cliente, colaboradores, parceiros ou mercado potencial é falar de seus princípios e propósitos. Envolve a compreensão de que a construção da credibilidade da marca passa por um processo no qual os valores da empresa devem permear suas instâncias e orientar suas práticas, para se expressarem no produto final.
É a integridade deste percurso que vai conquistar a confiança e fidelizar o consumidor, porque é com conteúdo relevante que se constroem marcas fortes.
Assim, comunicar criteriosamente a autenticidade de sua marca a consumidores conscientes apresenta-se como estratégia efetiva para quem almeja alçar-se, desde já, como protagonista do novo mercado.
