変な海。

estranho oceano — marés imprevisíveis e cheias de calor humano que ainda não senti. talvez eu esteja me enganando mas em cada volta do relógio a vida gira em torno de ti. antes que me acusem de paixão, deixe-me redigir esta carta aberta a todos os que sentem que precisam se redimir do pecado de sentir muito — tudo, seja o que for.

não é por falta de aviso que acabei entrando no mar. o problema é a promessa da possibilidade de um dia talvez quem sabe ocorrer em minha vida um milagre de redenção de todo sofrimento que um dia existiu. ainda uso de hipérbole para explicar o que partiu meu coração em dois três quatro pedaços espalhados em seis caixas pela casa que construí na minha cabeça quando percebi que a casa de verdade não servia mais para mim — agora é um jogo de adivinhar — ou um mandado de busca e apreensão — para encontrar cada pedaço antes que a maré vire e eu não esteja preparado para nadar.

pois afirmo: é impossível nadar sem um coração. ou respirar. ou pensar. ou escrever exageros sobre alguém que aqui dentro da minha cabeça não deveria estar. mas foi mais rápido e mais forte que eu o momento em que a eloquência tirou de mim a temperança — desisto de tentar resistir. antes mais uma peça partida do coração do que perceber meses depois que deixei escapar pelos dedos toda a esperança de salvação. antes mais um poema corrido assim onde posso pelo menos dar tudo de mim e não sentir as amarras da métrica puxarem os meus pés do que tudo formatado, justificado, pensado e rimado com precisão.

e se a pressa é inimiga da perfeição, eu já estou atrasado. de perfeito nesse espaço já basta o sentimento que foi aspirado em mim. já existe outro nome para o fim — mas nisso não irei pensar. tenho muito a escrever e tenho muito a estudar enquanto espero o tempo passar.

como já disse, ainda não aprendi. você pode me ensinar a nadar?

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