E se toda escola fosse um centro cultural?

Educação e Cultura são sempre reivindicações nas pautas minimamente progressistas. 2 pilares fundamentais para uma sociedade e que até hoje são bastante sucateadas nessa terra brasilis. Impossível não pensar que a finalidade do projeto de poder é essa — vide as recentes discussões sobre escolas sem partido e reforma do ensino médio — escola para criar ‘’obedientes eficientes’’ e sendo pública é somente um simulacro para dizer que há ensino gratuito para a população. Cultura é coisa de rico e vagabundo. Pesado, mas é o panorama e o pensamento de muita gente. Porém há iniciativas que unem esses 2 elementos

Há a alguns anos atrás conheci o projeto Ocupa Escola. Na ocasião era algo embrionário: fui convidado para fazer um pocket show (apresentação de no máximo 15 minutos) na FAETEC de Quintino. Foi uma experiência marcante: houve um debate com estudantes, professores e artistas sobre favela, arte e a escola enquanto espaço de convivência. Lembro ainda hoje de um menino que deveria ter uns 16 anos no máximo expondo sua inquietação: ‘’Me chamam de favelado porque eu ouço funk’’. Ao ouvir que o termo favelado não era ruim e sim a forma que se usava, ele se entendeu como favelado e entendeu o funk como música dentro de um oceano onde existem outras vertentes. Após o debate fiz a minha apresentação e mediei uma batalha de MCs entre 2 jovens. Desfecho melhor não poderia acontecer.

No ano seguinte, o projeto conseguiu parceria da Secretaria Municipal de Educação do Rio e 11 escolas receberam essa iniciativa. Nesse primeiro momento circulei quase todas as escolas me apresentando. Em 2016 tive a oportunidade de integrar a equipe como assistente de articulação. Essa experiência foi fundamental para não só me aproximar ainda mais das ideias do projeto, que parte do princípio de pensar a escola como equipamento de cultura, mas principalmente da arte educação. Essa prática coloca a escola em outro lugar, como um espaço de referência para integrar não só a comunidade escolar (estudantes, professores e funcionários) mas também de toda a região na qual ela se insere.

O artista, principalmente o que vem de favela ou periferia, presente na escola, pode ser justamente o que trabalha o outro olhar em cima do conteúdo apresentado dentro da sala de aula por exemplo. Longe de ser visto como ‘’o salvador do sistema educacional do país’’ mas se colocando como uma possibilidade de fazer algo diferente nesse ambiente, que mantenha o interesse do jovem e dos professores de estarem naquele espaço, que é tão importante como um palco. Até porque, também é um palco. Porém, o show é mais coletivo e dinâmico.

Por Nyl de Sousa

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