PRECISAMOS REPENSAR O ENSINO

O sistema educacional que adotamos hoje reflete uma lógica industrial. Temos carteiras enfileiradas, sinal sonoro indicando o fim dos tempos das disciplinas, utilizamos uniformes… tudo tal qual em uma fábrica, um serviço de montagem alienante como encenado por Chaplin em “Tempos Modernos”.
Ao comparar o ato de transmitir conhecimento com um trabalho manual de montagem, ignora-se o fato de que estamos lidando com uma atividade intelectual que envolve diversos seres humanos que, portanto, são distintos em suas formas de absorção do conhecimento. Tentamos padronizar e igualar, dividir em séries, assumir que todos são “iguais” frente ao conteúdo da disciplina e ignoramos suas particularidades, suas individualidades, só para ao fim testar seus conhecimentos em um questionário que nada reflete o trabalho feito durante o ano letivo.
A forma como transmitimos esse conteúdo programático também é problemática. É o que Paulo Freire chama de “educação bancária”, no qual onde a figura de “conhecimento supremo” do professor deposita o conteúdo sobre o aluno e não se cobra nada além da memorização daquela informação até o dia da prova final. Essa educação é falha e não constrói cidadãos críticos. Não é possível afirmar que nesse sistema aprendemos realmente alguma coisa, memorizamos e com o tempo dependendo da relevância daquela informação no nosso cotidiano, esquecemos. Alguém aqui se lembra as capitais de todos os estados brasileiros? Aqueles em que você não esteve? Pois bem…
Além de não estimular o pensamento crítico, essa metodologia cria estudantes dependentes e desorientados, pois, pressupõe que todo o conteúdo deve partir do professor, ou seja, a autonomia do aluno não foi desenvolvida desde a sua alfabetização, uma vez que ele sempre foi “ensinado” a esperar na sala de aula a iniciativa do professor sobre o conteúdo das disciplinas frente a uma posição de superioridade do mesmo.
Tendo em vista essas problemáticas do ensino “tradicional”, novos sistemas pedagógicos foram desenvolvidos no mundo inteiro e têm sido adotados. Uma das principais premissas desses novos sistemas é transformar a educação em uma atividade prazerosa e não exaustiva, como se tem normalmente. Desenvolver a autonomia dos alunos sobre quais temas eles querem aprender e formas de aprender coletivamente, não apenas “depositando” o conteúdo numa lousa, mas ensinando a buscá-lo em suas fontes também é uma pauta relevante que além de contribuir para criar estudantes pró-ativos, também estimula o pensamento crítico, uma vez que o conteúdo pode ser debatido em salas de aulas (que não necessariamente têm o formato das salas de aulas que conhecemos).
Esses novos sistemas buscam personalizar o ensino de forma a despadronizar os alunos e ter em conta suas individualidades, suas facilidades e dificuldades na absorção do conhecimento, auxiliando-os da melhor forma possível.
Assim, tendo em vista a construção de uma sociedade mais igualitária e cidadã, consciente e participativa é preciso repensar a nossa lógica de ensino industrializada que em nada contribui para a formação de seres humanos críticos, mas ao contrário, transforma-os em mão-de-obra alienada e massa de manobra.
Obs: caso alguém tenha interesse em conhecer esses novos sistemas educacionais e como eles se aplicam na prática recomendo assistir “A educação proibida”.

Por Isabela Aleixo

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