Estamos em Crise Até na Internet.

Eu nasci em 95 e peguei muito o início da internet brasileira — aquele 2003, discador do ClicRBS, só nos finais de semana, chat da Turma da Mônica, etc. Eu nunca tive a supervisão de um adulto na hora de entrar mas eu também nunca fui uma criança que fugisse das regras.

O fato de que eu passei a minha vida inteira na internet me trouxe diversas referências que eu uso até hoje. Lembro de como fiquei pasmo quando vi Avaianas de Pau, pelo site que HOSPEDAVA o Mundo Canibal, a fabricadequadrinhos.com.br. Me assustei com o horror da menina no corredor e sua lenda de que se você olhasse por 10 segundos, ela ficava no seu olhar pra sempre. Ou ainda joguei aquele clássico Bush Shootout 2 com a Condolezza Rice como sidekick de uma invasão de terroristas.

Junta tudo isso com dias e dias nos extintos fóruns do Orkut e você tem um jovem de 20 anos que conhece muita coisa na internet — sem querer ser prepotente, mas é que eu conheço muita coisa mesmo. Passamos por épocas de ouro — 2008, 2009, 2011 foram extremamente importantes para a indústria cultural da internet. Quantos memes? Quanta coisa boa rolou nesses anos! Entretanto, algo muito horrendo aconteceu. Facebook apareceu, e praticamente destruiu os memes.

Eu explico: no tempo de orkut, existia um filtro do que virava meme. Qualquer um podia fazer, sim. Mas pra ser bom de verdade, as pessoas precisavam buscar, jogar nos fóruns e dividir risadas. O Facebook apareceu e tudo isso parece que foi para o ralo. Ainda que qualquer um possa fazer um “meme”, as coisas na rede de Zuckerberg se tornam EXTREMAMENTE mais virais. De um modo que qualquer lixedo, distribuído entre os grupos, páginas, etc, tenha POTENCIAL ENORME de cair no seu feed de notícias.

Recentemente um vídeo chamado “JC PEGA A TAMPA” ficou famosinho entre os grupos de submundo da internet. Um lixedo — o jovem, com um roteiro já definido, decide por foder com JC, mandando o mesmo pegar a tampa e, ao ser indagado sobre a tampa, nosso protagonista retruca com “A do seu cu, viado.” e sai correndo. Esse é o vídeo. E ficou famoso. Que fase.

O que eu quero chegar nesse texto é que a gente vive a pior época da história de humor na internet. E não é nada relacionado a direitos humanos, respeito ao próximo. A gente tá fazendo um humor ruim, mesmo. Confissões de um Emo, Cersibon (que pra mim foi o melhor meme já criado no Brasil), O maior trapézio de Curitiba (!!!), isso sim era meme de verdade.

Observe essa foto e me diga seus sentimentos:

Observe bem os “memes” do ano: uma cantora que não veio para um festival (Marina & The Diamonds) . André Marques (ok, esse é bom) uma ação publicitária (Charlie Charlie), Mc Melody, a Inês Brasil (os memes da Inês são tão ruins e DEGRADANTES que eu mal consigo me expressar), Taylor Swift (2009 again.) Maysa (2009!)

Nunca, na história da internet, eu ri tão pouco com os ditos “MEMES.” Parece que as pessoas chegam, alcunham o negócio como meme e faz todo mundo assistir as porcarias. Como que a gente chama de meme algo que a gente acha HORRÍVEL em, no máximo, duas semanas? O recente “Já acabou, jéssica?” esteve saturado NA TARDE DO MESMO DIA. A principal regra, na minha opinião, para um meme funcionar, é que só é de verdade quando a gente sente vergonha ou ódio dois anos depois. Foi assim com Troll Face, Me Gusta, todos aqueles tipos de carinhas.

Eu não procuro regulamentar a arte do meme, longe disso. Mas eu acho que a gente deveria ter uns filtros melhores do que realmente pode ser engraçado. Um dos pontos para que toda essa TROCA DE INFORMAÇÃO de meme ruim é que a gente nunca esteve tão conectado. Talvez por isso em 2008, 2009 e 2011 a gente só viu meme bom. Não era a mesma coisa.

Eu só queria uns memes legais de novo.

E risadas sinceras.