
Como funciona a motivação?
A pouco mais de um ano comecei a me interessar por dois assuntos específicos, são eles Comunicação Cognitiva / Comportamental e Linguagem Emocional / Corporal. Tive o prazer de ler alguns livros como “Linguagem das Emoções” do Paul Ekman, artigos de grandes comunicadores e também livros de auto ajuda (sim, auto ajuda), pois infelizmente muitos livros BONS de filosofia estão categorizados como tal, por exemplo, livros do grande Mario Sergio Cortella como “Qual é a tua Obra” e “Porque fazemos o que fazemos?” e pude absorver dessas incríveis fontes alguns conteúdos muito legais e interessantes. Entretanto, senti que ainda faltava algo, eu precisava ir além do “como fazer”, era preciso saber a parte de “como funciona”.
Foi quando comecei a me interessar por PNL (Programação Neurolinguística) e Neurociência Cognitiva. Bom, sem mais delongas, gostaria de dizer que me considero leigo no assunto e também não sou formado em Psicologia/Neurociência e afins, logo, as informações que passarei neste post eu gostaria que validassem sempre que houver uma fração sequer de dúvida sobre a veracidade (e teria um grande prazer que o fizessem).
Motivação, o que é?
Se você procura por uma fórmula mágica, desculpe, terei que decepcioná-lo, mas a primeira pergunta a ser feita é : “o que de fato é motivação e de onde ela vem?”. Gosto muito de uma frase do Cortella que diz:
“Motivação vem de dentro, ninguém pode te motivar a não ser você mesmo, o que se pode fazer é dar estímulos para que isso aconteça.” Mario sérgio Cortella em “Porque fazemos o que fazemos?”
Tendo isso em mente, e sabendo que somos todos diferentes, podemos chegar a definição que a motivação tem sentidos e razões diferentes para cada um de nós, ou seja, o que te motiva não necessariamente me motiva e, obviamente, o que te estimula não necessariamente me estimula.
Dica:
Há alguns detalhes que acho legal falar antes de nos “aprofundarmos”. Antes de qualquer coisa, entenda, o único responsável pelo recebimento da mensagem é o emissor, ou seja, caso seja necessário prover algum tipo de feedback (positivo ou negativo), estímulo, ou qualquer outro tipo, preste atenção no tom de voz (incluindo ritmo e frequência), palavras e sua postura física na hora de falar. Caso receba algum pedido, farei um post falando sobre isso qualquer dia. (se tiverem interesse, por favor me deixem saber)
Aqui que eu queria chegar, então vamos lá!
Como identificar qual estímulo motivacional deve ser feito?
Como disse antes, o estímulo motivacional a ser transmitido vai depender de quem receberá a mensagem, pois, como somos todos diferentes, é preciso antes de querer que nos entendam, entender como o outro funciona. Neste tópico, falaremos sobre como este estímulo pode ser recebido dependendo da mensagem transmitida levando em consideração a idade do receptor.
A forma como reagimos a algumas circunstâncias dependerá de inúmeras variáves que participaram da nossa formação até hoje, ou seja, da forma que nosso “Mapa Mental” foi construído.
Indo um pouco mais fundo e entendendo como as coisas funcionam dentro da nossa cabeça, gostaria que você guardasse algumas informações importantes. A primeira delas é que há uma área do cérebro chamada Córtex Pré-Frontal Dorsolateral e é muito importante para controlar impulsos e, além disso, é uma das regiões que amadurecem por volta dos vinte e poucos anos. Por sua vez, temos também uma área chamada Córtex Pré-Frontal Medial (CPFm), essa área entra em ação sempre que nos colocamos ou nos colocam como protagonista de alguma situação. É importante ressaltar que na adolescência (15 a 19 anos) esta área entra em ação com muito mais intensidade, gerando assim, maior prioridade sobre a “auto-afirmação”, pois, nesse momento, ainda não nos demos conta do “EU”. Portanto não nos conhecemos o suficiente para termos uma situação sob controle (na filosofia e na psicologia, é dito que a necessidade da “auto-afirmação” é acarretada pela falta de conhecimento de nós mesmos). Bom, agora quero que preste atenção porque chegamos a parte mais interessante deste artigo. Por fim, há uma outra área chamada Córtex Orbitofrontal que é não só, mas inclusive, relacionado com a tomada de decisões executivas, atenção e simulação de consequências futuras (projeção). Estudos indicam que na adolescência a atividade desta área continua muito semelhante a de uma criança.
Bom, se a sua leitura chegou até aqui, ótimo, fico muito feliz que tenha suportado a parte “científica” da coisa.
Nesse momento, provavelmente ou você está se perguntando “O que isso tudo tem a ver com estímulo motivacional” ou simplesmente já percebeu onde eu quero chegar.
O estímulo que deve ser passado está em grande porcentagem ligado a essas informações que acabei de lhe dar, por exemplo, não se pode dar estímulos iguais para adolescentes e adultos e esperar a mesma reação.
Sabendo que adolescentes tem grande atividades na área do CPFm, eles tendem a responder, por exemplo, a estímulos relacionados a maior ação e desafios. A ação em primeira instância está relacionada com a necessidade de viver o agora, em outras palavras, é preciso de algo concreto para se sentirem estimulados, pois, como o sentido de projeção ainda é falho, a noção da “pronta recompensa” é mais estimulante. Quanto ao desafio, ele coloca o indivíduo como protagonista fazendo com que a sua necessidade de auto-afirmação aumente, gerando assim, maior estímulo neurológico. Já os adultos tem uma maior consciência do “EU”, tanto no sentido científico (atividade do CPFm) quanto no sentido filosófico. Neste sentido, talvez seja de maior estímulo o reconhecimento ao seu trabalho e idéias de ação futura, pois seu Córtex Orbitofrontal já estará mais maduro, fazendo com que sua tomada de decisão, sua atenção e sua projeção sejam mais claras e estáveis fazendo com que o protagonismo não tenha tanta importância quanto no adolescente.
Nota importante: Como falei, são incontáveis variáveis que influem neste resultado, entretanto, ter o conhecimento de como funciona “na raiz” é importante para sabemos como pisar em um terreno possivelmente desconhecido que será a interpretação do outro.
Se sua leitura chegou até aqui, gostaria de agradecer imensamente e também gostaria de dizer que o melhor presente que se pode dar a alguém é o feedback. Sinta-se a vontade para me contactar da forma que preferir caso queira falar sobre este ou outro tópico qualquer.
Caso alguém tenha curiosidade, essas informações foram absorvidas e conectadas a partir do livro “O Cérebro” de David Eagleman, reflexões de palestras de filósofos como Leandro Karnal, Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho e alguns cursos sobre PNL.
Muito Obrigado, vocês são incríveis!
Créditos à revisão do texto para Luísa Ribeiro Caetano da Silva :)