O pensador

No museu do Brennand, na cidade do Recife, encontra-se uma réplica da escultura O Pensador, de Auguste Rodin. A figura é esculpida em bronze, tem no total 1,86cm de altura e mostra a forma de um homem, aparentemente entre os 20–40 anos, sentado numa pedra em uma pose reflexiva. Ele não parece tenso, mas sim, mergulhado em pensamentos misteriosos.
Observando a escultura é possível perceber que a figura do homem está despida e possui uma definição realista dos músculos e detalhes da pele. Ele apoia o queixo na mão e olha para baixo. O olhar voltado para o chão significa, de acordo com a psicologia, uma desconexão com o mundo real, um contato mais direto com os pensamentos e o interior. A escultura no total está em cima de um pedestal de mármore, com letras de ferro pregadas expondo o nome da obra. Ao seu redor, há uma sala pequena em forma de decágono com janelas muito altas, pelas quais entra uma luminosidade sutil que recai sobre a estátua. É possível ver, também, em cavidades nas paredes, as formas femininas de esculturas de pessoas, como musas, com vestidos longos e cabelos presos. O chão xadrez preto e branco também serve de suporte para os últimos detalhes da sala: esculturas, também em ferro, de formas que se assemelham a espadas, e dois pedestais vazios banhados em ouro que estão colocados dos dois lados da entrada da sala.
A escultura do Pensador foi criada originalmente com a intenção de representar a Divina Comédia, e foi encomendada com um conjunto de outras obras que formariam uma escultura de proporções enormes, para o Museu de Arte Decorativa em Paris, cada uma representando um dos personagens do poema épico. O Pensador representa Dante, sentado às portas do inferno, ponderando seu poema, e na obra total, se encontra bem ao centro da peça, um pouco para cima, observando tudo que está abaixo de si. Rodin optou por utilizar a figura nua para mostrar os músculos e a forma humana de Dante, com um tom heroico muito inspirado em pinturas e esculturas de Michelangelo.
O Pensador foi, na verdade, esculpido para representar o personagem de um homem que era tanto condenado quando livre em seus pensamentos, e se inclinava a olhar os círculos do inferno para ponderar sobre seu trabalho, mesmo perto da sua sentença final.

