Mônica Dias
Feb 25, 2017 · 4 min read

Oi, Laura! Eu acredito, sim, que a maioria das pessoas esteja majoritariamente interessada em dar o seu melhor. Para algumas pessoas esse ‘melhor’ só não é bom o bastante. Em outros casos, ele vem de uma pessoa sem empatia e manipuladora, cuja autoconsciência é discutível, mas enfim, uma pessoa que nos faz achar que está dando seu melhor para a relação, mas está nos manipulando, nos enganando com jogos e nos fazendo nos sentir culpadas pela falência da relação para servir ao seu próprio ego e seus próprios propósitos. Essas são as perigosas.

E não, não teremos uma admissão de responsabilidade delas, e sim, precisamos aumentar o empoderamento pessoal e reconhecer essas situações. Se você tem uma sensação de que alguma coisa ali está esquisita, apesar de parecer super legal no início, preste atenção a essa intuição e analise no melhor de sua capacidade. Uma patada que te bota pra baixo quando parecia que, até aquele instante, estava tudo bem… Você releva, porque, afinal, foi até a casa da pessoa pra vocês se divertirem e terem uma noite legal juntas, não pra ‘criar caso por uma besteira’ como ficará parecendo. Isso na sua cabeça. Mas não, não temos que aceitar as patadas dadas supostamente por nossa própria culpa, porque dissemos algo ‘errado’…

‘Muito do que nos leva a culpar a-pessoa-que-nos-iludiu é pura leitura de sinais que fazemos por interpretarmos as ações da outra pessoa pela nossa própria lógica.’ — nem sempre é o caso. Tem muita gente por aí com transtornos de personalidade que estão mesmo iludindo, algumas de propósito, outras porque sua volubilidade as faz acreditar naquela ilusão elas mesmas (aí fica a pergunta: se elas acreditam, é iludir?). Elas dizem com todas as letras que estão apaixonadas, te pedem em namoro, dizem que querem ter filhos com você — e até te assustam com isso. Elas falam em comprar aliança e, duas semanas depois, conheceram uma nova pessoa com a qual querem ter um relacionamento monogâmico e você está fora da jogada (está bem claro que ‘você’ aqui sou eu, né? rsrs).

Não quero que ninguém faça coisas por mim por culpa, medo ou vergonha! Não quero também que ninguém ‘mude’ por mim — e nem que queira me mudar para me encaixar na fantasia dela de quem eu sou. Mas a gente fica naquela relação em que a outra está tentando nos mudar ‘para o nosso bem’. E aí ‘não gostamos de mudanças’, não aceitamos os conselhos dela, que absurdo! Não queremos ser felizes??? Ela está dando a receita, por que não ouvimos???

Essa pessoa toda que descrevi aí em cima existe — existem várias dela. E eu me responsabilizo por tudo e por mais um pouco. Ou mais muito. Eu me responsabilizo por mim e também me culpo pelo que não é minha culpa ou responsabilidade. Essa pessoa projeta a culpa em nós, vira a mesa, e seremos eternamente culpadas pelo que não deu certo. E essa pessoa, estatisticamente, é 6% da população. Isso significa que, se você tem mil amigos no facebook, existe a chance de 60 deles serem essa pessoa.

Temos que nos responsabilizar, mas como me colocou minha terapeuta na quinta passada, nos responsabilizar pelo que é de nossa responsabilidade. Fatos. Isso é minha responsabilidade, aquilo não é ou não foi. Sim, ‘ficar’ sempre vai ser nossa responsabilidade… Esse argumento vai sempre ganhar, porque sempre podemos ir embora. Mas sim, existem essas 60 pessoas no seu facebook que são capazes de te enredar de volta, que são capazes de te convencer que agora vai ser diferente, que elas agora entendem a responsabilidade delas… Só que não. Nossas escolhas muitas vezes são ruins e temos que nos responsabilizar por elas, mas nem sempre o outro é um livro escrito em linguagem legível… e como escolher sem dados reais?

Não sou ‘vítima do que me aconteceu’, longe disso; sou vítima de mim mesma por ter deixado acontecer, sou vítima de mim mesma pelas minhas escolhas ruins. Mas o mais importante é reconhecer o porquê de ter acontecido para que não aconteça novamente. Curar em mim o que me tornou vulnerável a isso, e também identificar nos outros os traços que indiquem que determinada pessoa faz parte das ‘The 60’. Estou vilificando 6% da população porque esses 6% deixam atrás de si um rastro de caos e destruição. Deixam pessoas confusas, que não entendem o que aconteceu, que sofreram gaslighting e outras formas de manipulação. Elas não são pessoas emocionalmente fracas; o maior ‘alvo’, o que tem mais a oferecer, é a pessoa compassiva, com capacidade de se colocar no lugar do outro e ver seu sofrimento.

Enfim… Seu texto, como sempre, me fez pensar em várias coisas e me deu vontade de debater. Pode ser que eu ‘discorde’ em alguns pontos, mas pode ser até que você ‘concorde’ com a minha discordância… O importante é que me fez pensar, me deu vontade de escrever. Gosto muito dos seus textos! Beijos!

    Mônica Dias

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