beautiful inside my head forever

(meio que uma carta aberta e desconexa pra mim mesmo)

até os deuses mais vaidosos aceitam que o tempo é o lugar que a gente coloca as coisas pra crescer e evoluir mas você, matheus, quer ser diferente. quer construir esses castelos da pureza, perfeitos e inabitados na sua cabeça. isso não é viver.

olho para o meu avô, quase cego e surdo, preso no seu próprio universo e fico pensando se ele cultivou um universo particular agradável, agora que tem que viver na própria cabeça. e penso em tudo que ele queria contar e talvez não dê tempo, não tenha mais jeito. você não compreendeu que presente da vida é estar aqui com todos os canais abertos podendo falar, escrever, fotografar e ainda assim escolhendo a renúncia?

e que obsessão é essa com o olhar dos outros? alguém muito mais inteligente me disse que se não vale a pena criar pra si mesmo não vale a pena criar pros outros. então é isso? faça seu próprio pão, conte suas próprias histórias, se divirta sozinho. com esse universo todo represado e borbulhando aí dentro e você ainda tem coragem de reclamar de tédio. vamos criar alguma coisa nem que seja pra destruir depois. nem que seja pra criar e resolver novos e velhos problemas. estar vivo é criar esses obstáculos porque a linha de chegada é a morte. crie lastros, aceite desvios, fuja dos atalhos, fuja da eficiência e produtividade. precisamos voltar ao potlatch, ao desperdício, a falar e escrever mais do que o necessário, a conhecer as coisas sem pressa, olhar e/é ser olhado, ter a coragem de segurar os olhares trocados. manter em silêncio o que deve ser mantido em silêncio e o resto todo jogar no mundo e o mundo que se vire pra caber tanta coisa.