Logo da Cinemateca Brasileira: a interpretação errada, que no fim acaba sendo a certa
LOGOBR por Daniel Campos
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Ótimo texto!

Eu acho que há uma resistência da Cinemateca em relação à logo por vários motivos.

O primeiro já parece ter sido explicado no texto, é o nome do autor, que querendo ou não foi uma das maiores influências do design brasileiro.

O segundo está no fator da tradição; marcas muito antigas e que querem passar essa ideia de ser antigas evitam fazer mudanças drásticas na identidade visual.

O terceiro é que a Cinemateca parece atender a um determinado público, a dos “cults”, artistas que usam e defendem com garras e dentes o uso do Super-8 nos dias atuais, intelectuais e especialistas em cinema brasileiro que com certeza vão chiar muito se a identidade visual for mudada.

E por fim, não parece ser viável para a Cinemateca trocar o significado da logo para outro mais “moderno”, sendo que nos festivais onde participa ela realmente leva rolos de filme e exige que o cinema em questão tenha um projetor de rolos, e não data-show e afins.

Eu acho que uma coisa que Wollner de fato evitou foi o de estudar a cultura local. A Ulm, escola onde estudou, pregava a ideia de que os símbolos deveriam ser universais, e por isso, o mais simples possível. É óbvio que isso foi contestado (eu também contesto), afinal a Ulm seguia um jeito europeu de pensar a imagem, e parecia ignorar que o mundo não é a Europa. E Wollner foi um desses estudantes da Ulm que voltou ao seu país querendo aplicar esse modelo modernista e eurocêntrico do design. Um erro que a Cinemateca se recusa a admitir.

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