fuga
Eu tentei descobrir o que era ser aquela mulher numa cama que não era minha.
Ela era inalcançável, me enlouquecia. Como a viam em mim se no espelho era só eu?
Tentei enxergá-la permitindo que outro corpo invadisse o meu, finalmente. Tentei senti-la enquanto ele me arranhava e me apertava a cintura. Tentei ouvi-la nos meus gemidos, mas eles só me desmontavam e ela se perdia.
Houve uma noite em que eu saí com um rapaz de traços quase infantis e, entre as minhas pernas, seu rosto parecia o de um menino assustado enquanto ele me encarava - ele a enxergava e isso me dava poder ao mesmo tempo que me dava medo.
Ela me grita que eu tenho sorte. Ela me grita que eu não sei viver. Eu não a ouço, mas me passam o recado entre olhares e ausências.
