Refinanciamento de dívida ou compra de votos?

A receita é simples, quem quer se reeleger nas próximas eleições precisa de votos e dentre as principais formas de se conseguir votos estão apoio de grandes empresários e boas maquinas publicas a serem utilizadas.

Considerando isso, em poucos dias o governo temer conseguiu orquestrar um bom contra-ataque vacina diante da pressão popular sobre os parlamentares para a não aprovação da reforma da previdência, o “refinanciamento” da dívida de estados, municípios e grandes empresas.

Créditos: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Muitos de nós que nos colocamos contra a proposta de reforma da previdência do governo Temer fizemos isso por já conhecer a característica desse congresso, em sua grande parte comprometido com as estruturas de minorias de maior poder econômico. O discurso é de que as reformas seriam para equilíbrio das contas públicas, porém, a conta no povão é duramente cobrada enquanto a da elite aliviada.

Os refinanciamentos são históricos no Brasil, considerados por muitos uma boa forma de lucro com o não pagamento de dívidas com a união, já que quando a dividida acumula novamente o governo refinancia de novo.
 
Muito mais interessante é olhar para a comissão especial que montou a proposta e ver que dos seus 50 membros, entre titulares e reservas, 22 estão com o nome na dívida ativa da união, cobrados na Justiça, aliás, dos 594 parlamentares 42% são empresários incluindo fazendeiros. A versão proposta pela comissão especial provocaria uma perda de arrecadação de R$ 23 bilhões.
 
Não para por aí, o governo Temer também negocia benefícios a produtores rurais que tem dívidas com o Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural) e provavelmente terá que abrir uma nova rodada de negociações no senado caso a proposta seja aprovada na câmara.
 
A influência dos setores econômicos dominantes, em especial os ruralistas, está a todo vapor e fatalmente o povo é quem pagará por isso.
 
Ser contra a reforma proposta pelo governo temer não significa apoiar irresponsabilidades fiscais, apenas é importante perceber que os ajustes não são feitos de maneira isonômica e as propostas estão se transformando em enormes colchas de retalhos onde a grande massa da população de menor renda está sendo prejudicada.
 
Estão refinanciando dívidas ou comprando votos?

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