Um partido fora da polarização (contraponto a Juliano Medeiros)

Hoje de manhã recebi um texto escrito por um membro do PSOL chamado Juliano Medeiros, me chamou a atenção a crítica frontal a Rede sustentabilidade que propõe seu escrito. Essa mesma crítica abre uma excelente oportunidade de debate sobre os motivos que levam os adeptos de posições mais extremas dentro do espectro político a não compreender bem as posições tomadas por aqueles que desejam sair da polarização.
 
O título do texto é “É hora de ter lado” mas quem foi que disse que a rede não se posiciona? Porém, não existem apenas dois lados.

imagem extraída da internet

Vejamos:
 
1- Analisar isoladamente o apoio à candidaturas e desconsiderar como isso foi feito é inadequado. O apoio a Aécio Neves no segundo turno foi todo feito com base em discussões programáticas e visando a alternância de poder (algo fundamental a democracia), naquele momento ainda não se tinha conhecimento das diversas acusações sobre o senador, que caso já fossem uma realidade também seriam levadas em consideração, muito provavelmente inviabilizando o apoio.

Referir-se ao apoio como uma “guinada à direita” é querer encaixar forçadamente a rede dentro dessa polarização Direita x Esquerda.
 
2- Sobre a reforma da previdência é importante lembrar que Marina se posicionou a respeito do tema na página da Rede sustentabilidade. A reforma da previdência que o Governo temer propões não teve apoio da Rede e a própria Marina chega a citar na entrevista ao estadão que iniciou a polêmica que o projeto possui arbitrariedades.
 
A necessidade de polarizar faz com que insistentemente se ache que temos apenas dois lados na história, ao invés de abrir o leque a diversidade de ideias como por exemplo a de quem entende que ajustes na previdência (como acabar com as super aposentadorias e combater desvios e fraudes) são necessários, porém sem cobrar a conta dos mais pobres.
 
3- A opção apoiar apenas “atos de partidos sobre Eleição Direta, inclusive frentes parlamentares, se estiverem diretamente associados com o apoio à Lava Jato e a luta pelo combate à corrupção” é uma forma de apoiar o funcionamento das instituições no combate a esse enorme problema. Abrir mão da lava jato é inimaginável, visto que ela tem sido um importante instrumento de combate a estruturas de corrupção jamais antes visto no Brasil.
 
Apoiar a lava jato não significa necessariamente messianizar figura A ou B do judiciário, caso alguma arbitrariedade ou excesso seja cometido por alguém que a pessoa seja corrigida sem prejuízo da justiça que deve ser feita.
 
4- Afirmar que “A Rede prefere, ao invés de fortalecer a luta dos movimentos sociais, partidos, intelectuais e artistas progressistas por eleições diretas, entregar o futuro da democracia brasileira ao TSE” não é correto visto que outras frentes de apoio as eleições diretas podem tranquilamente coexistir com o apoio a cassação da chapa pelo TSE.
 
Os parlamentares da rede tem trabalhado incansavelmente no congresso em diversas formas de chegarmos a isso, a própria PEC das eleições diretas é uma iniciativa de um parlamentar nosso
 
5- Outra afirmação que não leva nosso jeito de pensar em consideração é dizer que “esse episódio demonstra a dificuldade do partido de Marina Silva de se posicionar diante do turbilhão em que se transformou a política brasileira”. 
 
Não existe dificuldade em se posicionar, porém o posicionamento do outro (quando ele se posiciona de uma maneira diferente de como estou acostumado a marcar posição) pode gerar uma dificuldade de compreensão e até irritação em quem tem necessidade de polarizar.

No meu entendimento, a Rede tem lado! No entanto, é imprescindível lembrar que esse lado não é o lado da polarização Flaxflu político que tem causado tanta guerra na sociedade, a saída não é pela direita nem pela esquerda, a saída é para cima!

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