A mosca

Eu movo meus pés e o pedal me acompanha. A mecanica programada responde à minha pisada e condiz em tom, força e vontade. Respiro fundo e acabo por comer uma mosca desavisada que cruzou o meu caminho.

Aquele dia ela acordou e, depois de se alimentar no escarro do mendigo que nunca vi, saiu a voar. Encontrou enfermos, sorridentes e apressados, mães de família e vadios. Sentiu a mudança de tempo. Voou por pingos, choros de chuva.

Quando saiu pelo mundo, nem imaginou que num descuido iria cair numa boca semi aberta e semi desperta. Desavisado esse destino que me fez cair e a fez morrer.

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