Relembrando James Joyce

Bloomsday reuniu admiradores do autor irlandês em intervenção
no Centro de Florianópolis


Poderia ser só mais uma terça-feira de outono na Praça XV de Novembro, em Florianópolis, não fosse pelo grupo de pessoas que liam exemplares de um livro grosso nos arredores da velha figueira. Sentados no chão, em bancos ou em cadeiras de praia, os leitores integravam a edição florianopolitana do Bloomsday, evento que ocorre anualmente pelo mundo no dia 16 de junho com o objetivo de homenagear o escritor irlandês James Joyce e sua maior obra, o romance Ulisses.

Leitores reunidos na Praça XV de Novembro, no Centro de Florianópolis, no último dia 16 de junho
Capa da primeira edição, de 1922

O livro narra os acontecimentos vividos pelo personagem Leopold Bloom durante pouco mais de 17 horas do dia 16 de junho de 1904. Joyce estabelece uma série de correspondências com a Odisseia de Homero, seja entre os personagens — Leopold Bloom e Ulisses, Molly Bloom e Penélope, Stephen Dedalus e Telêmaco — seja com referências aos acontecimentos narrados. Publicada em 1922, a obra é considerada um dos marcos da literatura ocidental contemporânea.

Em Florianópolis, o evento é organizado por Sérgio Medeiros, Clélia Mello e Dirce Waltrick do Amarante, professores universitários de Artes Cênicas, Cinema e Letras. Sérgio, que morou em São Paulo, nos Estados Unidos e na França, conta que participa do Bloomsday há duas décadas, não importa onde esteja: “Então, quando me estabeleci em Florianópolis, pensei: vamos fazer aqui também”.

No vídeo abaixo, o professor conta mais sobre o evento:

Se no Brasil os Bloomsdays ainda são tímidos, na Irlanda a data “é como se fosse o nosso carnaval”, compara Sérgio Medeiros. No país europeu, o 16 de junho é considerado o segundo maior feriado nacional, atrás apenas do Dia de São Patrício (Saint Patrick’s Day).

Em Dublin, o dia tem uma variedade de eventos, tais como leituras e dramatizações do livro, maratonas de bares, dentre outros — boa parte delas é promovida pelo James Joyce Centre, museu em homenagem ao autor. Os participantes se vestem com fantasias inspiradas na era Eduardiana e refazem a rota de Leopold Bloom pela cidade, os mais devotos fazendo maratonas de leitura da obra inteira — de 900 páginas! — que podem durar até 36 horas.

Um pouco do Bloomsday irlandês:

Há controvérsias sobre o ano em que o Bloomsday começou a ser comemorado. Alguns especialistas indicam 1925, três anos após o lançamento do livro, outros afirmam que foi na década de 1940, logo após a morte de Joyce, enquanto a hipótese mais aceita indica que foi em 1954, na data do quinquagésimo aniversário do dia retratado em Ulisses.

Leitores reunidos na Praça XV de Novembro, no Centro de Florianópolis, no último dia 16 de junho

*Produzido por Gabriela Dequech, Mariana Petry e Mônica Custódio