a pessoa que eu queria ser
ele escreve poesias sobre amores que ele não vive. ele consegue observar aqueles amores e escrever sobre eles como se estivesse lá dentro, na quenturinha que sai daqueles dois corações. eu queria ter a capacidade dele de enxergar esses detalhes na história dos outros.
suas poesias são prosificadas, sabe? eu gosto de poesias assim, quando as palavras dão aquela frescurinha na mente sem estarem exatamente dispostas em linhas saltadas num papel. eu queria ter essa capacidade que ele tem de desfazer o padrão e mexer com a cabeça das pessoas.
mesmo cheio de problemas, ele arranja um espaço na cabeça dele pra cuidar dos outros. ele cuida até de quem merece muito pouco da atenção dele, e quase nunca reclama. reclama, porque é humano, mas faz. eu queria ter essa capacidade de ser tão dos outros quanto é de si mesmo.
ele parece ser daquelas pessoas que não sabem ficar. talvez pra maioria do conjunto de pessoas que o conhece ele seja essa pessoa que apenas passa e deixa um pedacinho de saudade. mas pra quem o conhece de verdade, ele é daquelas pessoas que fica. permanece mesmo, cria raízes, laços, colas. profundo em nossa alma. eu queria ter essa capacidade que ele tem de ir e ficar ao mesmo tempo.
eu queria um pouquinho dele em mim. eu queria que ele soubesse disso. mas eu acho que ele sabe. que ele é, em mim, muito do que eu queria ser.
