Mobilidade na palma das mãos

Uso de transporte não tradicional em Juiz de Fora cresce com a chegada dos aplicativos

Seja pelas condições do transporte público na cidade, ou pelos horários dos mesmos, muitas pessoas têm optado pelos aplicativos de transporte. Pedro Xavier, estudante de engenharia civil, diz que utiliza um dos aplicativos pela praticidade e segurança: “uso pelo fato do carro te pegar em casa, é fácil, e você tem o aplicativo ali no celular para acompanhar. Além disso, qualquer perda dentro do carro, você consegue reportar pelo aplicativo e eles te retornam, algo que em outros tipos de transporte é mais difícil”.

Miguel Magaldi, estudante de Artes e Design, também utiliza os aplicativos por gostar da segurança em relação ao motorista que é escolhido por alguns critérios, e por já conseguir visualizar a rota. “Eu já vejo com antecedência o valor que vai dar. Estando em casa, aqui em Juiz de fora, eu posso traçar uma rota no Rio de Janeiro e saber quanto vai dar.” Ele também gosta de ter o cartão cadastrado. “Às vezes você está atrasado, tem que pagar em dinheiro, e aí tem aquela questão da espera pelo troco”, comenta.

Outro fato que chama a atenção das pessoas é que alguns desses aplicativos permitem viagens compartilhadas. “Dependendo do local e de quantas pessoas vão, às vezes fica mais barato do que ir de ônibus”, comenta Pedro.

E como funciona para os motoristas desses aplicativos?

O cadastro é feito pelo aplicativo ou direto no escritório da Uber. Os pré-requisitos são: carteira de motorista definitiva, ter o xxx xxx xxx (EAR, que comprova que o motorista exerce atividade remunerada) na carteira, carro com máximo de dez anos, considerando o ano e modelo do mesmo.

Rafael Amaral, atualmente motorista do aplicativo Uber, conta que resolveu entrar quando saiu do último emprego. “Inicialmente era uma forma de complemento de renda, até surgir algo melhor, mas está dando certo”, comenta ele.

A Uber cobre uma porcentagem de 25% em cada corrida do motorista. “ Ao meu ver, compensa de acordo com algumas circunstâncias, por exemplo, em horário de pico, finais de semana e à noite, quando tem-se o valor dinâmico, mais alto que a tarifa normal”. Entretanto, Rafael comenta sobre algumas dificuldades em relação aos gastos do motorista, como nos dias de muito calor, em que o ar-condicionado precisa ser ligado. “No geral, compensa se você tiver disponibilidade de trabalhar em dias e horários específicos, quando você gasta menos combustível e recebe mais por cada trajeto”, define ele.

Já Raquel Ferreira, também motorista, alterna trabalhando para dois aplicativos: “ As pessoas geralmente não sabem, mas é possível trabalhar para a Uber e para a 99 táxi”. Ela conta que o processo para entrada é parecido, apesar de que o aplicativo brasileiro é menos criterioso na questão da seleção de motoristas.

“Fazendo um jogo de cintura, você consegue se manter. Geralmente eu intercalo entre os aplicativos levando em conta os horários e os preços de cada corrida. Se o valor está dinâmico, eu prefiro dirigir pela Uber.”

Entretanto, a questão do preço dinâmico que agrada tanto aos motoristas acaba não sendo vantajosa para os passageiros. Em dias de poucos carros circulando e demanda alta de passageiros, os preços podem ficar duas ou mais vezes superiores ao valor normal.

Aplicativos mais comuns em Juiz de Fora

PLC 43/40: projeto de lei para regras para transporte por aplicativo

(Foto: Divulgação/Uber)

Em setembro desse ano a Prefeitura de Juiz de Fora enviou à Câmara dos Vereadores um projeto de lei de regulamentação do serviço de transporte prestado por aplicativos na cidade. Alguns dos principais itens da proposta são: veículos identificados pela empresa de transporte, com até seis anos de uso, emplacados no município (regra válida tanto para particular quanto para locadora de veículos), com quatro portas, ar-condicionado, porta-malas de, no mínimo, 260 litros e motor 1.0. Além disso, não será permitido dividir o mesmo carro com outro motorista parceiro credenciado.

E as opiniões sobre essa lei ficam divididas:

E porque o uso de aplicativos de transporte cresce cada vez mais no país?

A resposta para essa pergunta é simples: esse crescimento deve-se ao fato de que, na América Latina, o Brasil é o país que mais utiliza internet. Estima- se que em 2020 o número de pessoas utilizando aplicativos de transporte aumente, isso porque o uso da internet também irá aumentar. Observe nesse gráfico sobre usuários de internet no país: