Tudo que eu sinto esbarra em Deus

Tenho observado que sinto uma necessidade primária de escrever, geralmente quando as coisas não estão como eu gostaria que estivessem na minha vida.

Tenho me sentindo triste. E fico triste por ficar triste. Confuso? Pois é! No fundo sei que não devo nutrir esse sentimento, e sei que, na verdade não existem motivos para a tristeza habitar meu coração.

Terminei ontem a série O tempo e o vento (mais de 2500 pág. UFA) do escritor Erico Verissimo. Foi especial. Um ciclo de 200 anos da história do Rio Grande do Sul que se encerrou, mas que no fim, me deixou com muitos pensamentos desordenados na cabeça, que em vão tentei fugir.

É difícil escrever e ser sincera. Sem inibições, vergonhas, sem medo de quem vai ler, e o que vão achar do texto, e de mim. Essa é uma das inúmeras ideias que ficaram fazendo ninho no meu cérebro. Temos nossas máscaras (e olha eu escrevendo no plural, pra não admitir que EU tenho minhas máscaras), vivo com ela na frente dos amigos, da família, de Deus (?)

Não. De Deus não dá. Graças a Deus (?) 
Sim, Graças a Deus!

Andei fugindo de Deus essa semana, e na passada também, fingindo [ou pelo menos, tentando] que estava tudo bem. Quando não estava nada bem.

Estava me sentindo sozinha. Mesmo sabendo o quanto sou amada. E esse sentimento de solidão me fez desejar ficar cada vez mais sozinha. Estava me sentindo como um animal perdido em uma sociedade tão diferente, futurista? Talvez…,mas acho que a descrição que melhor sem enquadra seria floresta! Isso!

Mas Deus me caça. Mesmo sendo estranho, a palavra que me veio a cabeça foi caça mesmo. Com fúria. Não é uma procura desinteressada, passiva, é um amor ativo, furioso, é uma procura ao animalzinho desgarrado que tanto insiste em sair do rebanho do Pai, mesmo sabendo que é lá que ele encontra abrigo da chuva, do medo e da solidão.

Por incrível que pareça o Irmão Toríbio, um marista, personagem do livro que terminei ontem, martelou isso na minha cabeça e alma (contra a minha vontade) que o caminho para todas as nossas solidões é Deus. A personagem Silvia entendeu isso, ou melhor recebeu de Cristo essa verdade, por isso estava em paz e feliz. Já Floriano (outro personagem) permaneceu cético frente às transformações que se operou na amiga. Eu estava Floriano ontem. Cética. Sarcástica. Duvidosa.

Deus fazendo suas tentativas de voltar a minha cabeça ao alvo. Me caçando. Insistindo.

Hoje acordei e não quis ir na igreja, assim como ontem também não.

Abri minha devocional e fui obrigada a ler algo que me transpassou: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.” 1 cor. 15:19b

Foi como se Deus dissesse, “vou tentar ser mais direto com você, já que o livro de ontem não funcionou.” Continuo insistindo em você Monique.

Olhei pra mim. Olhei pra Cruz.

Foi como se em meio ao turbilhão da floresta a ovelha visse a cruz.

Entendi o que estava errado. Entendi inclusive que era (e é) Páscoa, e eu nem tinha me dado conta.

Entendi e senti o seu amor.

Percebi como a floresta tirou meu foco da trilha. Lembrei dos Hobbits, quando Gandalf (acho que era ?) orientou aos pequeninos que não saíssem da trilha, pois era difícil acha-lá depois, e o que eles fizeram? O que eu fiz.

Jeremias 32:40 me conforta quando diz que “.. e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim.” De outra forma, não acharia a trilha. A graça dEle em mim, faz meus olhos voltarem pro alto. E já não me sinto o mais infeliz de todos os homens.

De volta na trilha, alegre e esperançosa de “..que o caminho será escuro, mas que Cristo é a luz do mundo.”


“ se não fosse a esperança de que me aguardas com a mesa posta 
o que seria de mim eu não sei.
Sem o Teu Nome
a claridade do mundo não me hospeda,
é crua luz crestaste sobre ais.
Eu necessito por detrás do sol
do calor que não se põe e tem gerado meus sonhos,
na mais fechada noite, fulgurantes lâmpadas.
Porque acima e abaixo e ao redor do que existe 
[permaneces,
eu repouso meu rosto nesta areia
contemplando as formigas, envelhecendo em paz
como envelhece o que é de amoroso dono.
O mar é tão pequenino diante do que eu choraria
se não fosses meu Pai.
Ó Deus, ainda assim não é sem temor que Te amo,
Nem sem medo.”

Contrariando Adélia Prado. Amo sem medo.


“Mas há que tentar o diálogo, quando a solidão é vicio.” Carlos Drummond de Andrade

Enfim, uma verdadeira feliz páscoa!

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