As cartas que não escrevemos mais

Para encorajar bilhetes feitos à mão

“Porém não recebemos mais amor, por correio e lugar nenhum.
(li por esses dias essa frase perdida em algum texto)

Ainda acredito em cartas. Não que elas precisem chegar pelo correio, seladas em um envelope branco bonito. Para ser mais simples, quero dizer que ainda acredito nos bilhetes escritos à mão.

Porém não sabemos mais o que é isso, já virou produção escrita muito rara. Para quê carta/bilhete, se pode ser digital e rápido? Não penso em me desfazer dos canais digitais, no entanto como disse antes, sou uma admiradora, afinal são séculos de histórias contadas com ajuda desse recurso literário.

Dos gêneros literários, a carta é a forma mais antiga, e provavelmente uma das mais importantes para a História. A ‘certidão de nascimento’ do Brasil, é a carta de Pedro Vaz endereçada ao rei de Portugal. Algumas das informações que conhecemos das guerras mundiais, são relatos de soldados em cartas para suas famílias/amores/amigos. Van Gogh nos seus últimos anos de vida, escrevia para seu irmão contando como estava a vida e suas angustias, anos mais tarde esses relatos deram origem ao livro “Cartas a Theo”. E nem só de parcerias musicais viveu a amizade Tom&Vinícius, há registro escrito do quanto os dois trocavam analises e expectativas em relação a produção musical brasileira da época.

Das utilidades desse ícone literário, temos a possibilidade de usá-la para lembrar velhos amigos que ainda existimos; se fazer presente no dia de alguém, sem muito rodeio, formalidade ou por ser (ou não) data especial; escrever palavras para encorajar os novos rumos de uma pessoa querida; fazer um pedido de desculpa, o qual não saberíamos por onde começar se fosse para falar; ou agradecer o bem que o outro nos faz na vida.

E por falar em cartas que agradecem (re)encontros, essa deve ser a melhor utilidade dela, na minha opinião, pois é uma forma de ressignificar laços. Ela nos aproxima do outro e reproduz afeto. Escrever a mão para alguém é o mesmo que apreço, estima…afeição.

Você que tanto adiava escrever aquele bilhete ou carta, te encorajo a escrevê-lo, e faço isso deixando esse verso de Guimarães Rosa:

“Os outros eu conheci por ocioso acaso. A ti vim encontrar porque era preciso”

Por aqueles que ressignificam tua vida e pela gratidão que você enxerga nesses (re)encontros, te encorajo a escrever com papel e caneta, pois acredito em cartas.

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