Metáfora sobre meus Antigos
Para Antônia, Honorina, José e Raimundo
Alguns filósofos gregos, como Aristóteles, criaram as primeiras teorias a respeito da existência humana e de nossa composição como matéria. Eles acreditavam que tudo no Universo era formado de quatro elementos: água, ar, fogo e terra.
Sabemos, atualmente, da existência dos elementos químicos e da sua importância na composição das moléculas de todos os seres desse mundo. No entanto, os quatro elementos da Antiguidade ainda fazem sentido nas explicações místicas, metafóricas, religiosas e seja lá qual outra empregabilidade se queira dar.
Pois hoje, peço licença para metaforizar a vida dos meus Antigos por meio desses elementos. Ouvi falar durante muito tempo da minha vida sobre Antônia, Honorina, José e Raimundo. Os quatro são parte importante da minha existência humana.

A Água é adaptável, assume diferentes formas dependendo das condições. Contaram-me que Antônia viveu na beira de um rio, do seu ventre saíram 7 rebentos, mas se adaptou a ser mãe apenas de 5, depois apenas de 4, porque assim a vida quis. As nossas emoções e sentimentos brotam da água, ou das nossas lágrimas de alegria e tristeza. Minha única lembrança de Antônia é de um choro de alegria nos olhos dela, quando nos conhecemos. É praticamente impossível para qualquer ser vivo viver sem água. É impossível viver sem recordar as coisas que ela precisou fazer para outros sobreviverem.
Da Terra vem a estabilidade de poder ficar de pé, de ter um chão. José aquele de postura sempre firme, de passos calmos e tranquilos. A abundancia da terra e sua prosperidade, de onde brotam os alimentos e o sustento. Um comerciante da mesa farta, mas que sabia dar o devido valor a cada alimento daquela mesa. Na terra se planta o que se quer colher no futuro. José se fez raiz para que hoje fossemos a colheita.
Você não ver o Ar, só pode sentir a presença dele. Não conheci Raimundo, mas conheço sobre as viagens de barco pelos rios do interior, conheço sobre os sonhos que sonhou e sei dos seus ensinamentos. A voz é produzida pela vibração das cordas vocais, que é resultado da passagem do ar por elas. Das muitas coisas que já ouvi sobre esse comandante de barco, sei da sua facilidade em conversar com todo tipo de gente e de fazer grandes amigos. No ar tem movimento, tem propagação dos sons e expansão. O que Raimundo sonhou, nós podemos ouvir até hoje.
Indomável ou acolhedor, o Fogo mudou a história da Humanidade de inúmeras formas. Tive a oportunidade de sentir o calor dos braços e colo de Honorina; além de poder presenciar como ela transformava vidas através do acolhimento. O fogo cozinha nosso alimento, queima para produzir energia ou acende para nos guiar. Ela poderia fazer muitas coisas ao mesmo tempo, para muitos e com um jeito próprio. É luz para a escuridão. Em vida ou onde estiver agora , Honorina foi e é centelha em nossos caminhos.
E se lembramos do mito/lenda/parábola cristã sobre o homem ser feito do barro, eu contaria a história assim: só existe barro quando Terra e Água se misturam, e uma figura de barro só consegue durabilidade e estabilidade, se for ao Fogo, e esse por sua vez não pode existir sem ajuda do seu comburente, o Ar. Então, se somos feitos do barro, fomos moldados pela atuação desses quatros elementos, fomos moldados por nossos Antigos.
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Nesse Dia dos Avós, se você ainda tiver os seus nesse plano terreno, agradeça pessoalmente, se nem todos estão ou nenhum, agradeça em pensamento.