Monique #120amoresplatonicos #4 #fanficornot #anonimas

Esta noite eu tive um sonho eu vi você se olhando em um espelho, que refletia a minha própria imagem. Desesperada você dizia “Não é possível”. Quanta dor! Mas sim, essa é você, 30 anos após ser introduzida nesse mundo. Querida, como é terrível essa existência. Quanto sofrimento! O seu corpo se espalhando pelo chão gelado, pelo universo, crescendo e tanta coisa a tentar te comprimir, que eu nem sei como eu consegui surgir dentro de ti.

A nossa relação sempre foi uma água turva. Por fora a nossa pele era paz, mas por dentro éramos uma guerra constante. Tanta coisa que não entendemos que hoje me pergunto se eu cuidei de ti. Eu te amei? Talvez você tenha amado essa pessoa que você se tornou desde que era criança. Porque em certos níveis hoje eu sou o seu mais profundo desejo de infância, ser uma engolidora de mundos. Mas eu não sei se te amei, se te amamos, se cuidamos de ti. O seu corpinho frágil, mas tão endurecido caminhando pelas ruas sob os olhares dos abutres à sua volta. O seus seios crescendo e a sua paz diminuindo a cada despontar, de um pelo, de um mamilo. Não havia paz em volta de você. Eu desejaria tanto te encontrar e dizer “Você é tão preciosa!” Eu queria te proteger com as minhas lágrimas e segurar as minhas próprias mãos, que são suas, para não deixar você cair.

Tudo que temos passado, tanto que temos vivido, e ainda não te disse “Desculpa, eu também estou aprendendo”. Desculpa, cara, por tudo que te aconteceu. Não mataram você. Você ainda está aqui viva dentro de mim como um bálsamo, como uma ponta de esperança para quem desejar seguir nossos passos. De todas as coisas que eu herdei de você, o corpo, a consciência, a inteligência, a mais preciosa é essa tristeza que só sente quem quer mudar o mundo. Eu te amo, Monique! Como é difícil admitir que eu te amo sim.

Eles não vão nos abater. O meu primeiro amor, eu como minha eterna namorada e companhia. Eu como um rio que corre dentro de mim. Eu como minha referência e desejo. Este corpo que eu sempre habitei, esse destino que não sei e a criança que eu fui, são a minha igreja, beleza e Jesus Cristo. Meu pedacinho de rio que não está mais aqui, mas ainda corre no meu peito. Eu amo essa criança que eu não vou mais alcançar.

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