Leio uns versos quaisquer
Bonitos
Bem construidos
Mas não primais.
Li ele em uma ruela da vida
E vi como deveria ver:
Essa minha mensagem é para você
Minha formosa musa
A eterna indigente da galáxia
Enterrada no fundo do cosmo
Com os vermes do acaso
Sempre procuro outros sonhos
Que não sejam amor:
Viajando na beirada das estrelas
Deslisando os dedos nos anéis de Saturno
Dormindo com nebulosas, estas chovendo em meus cabelos.
Banho os golfadas de minha mediocridade
Com palavras rebuscadas em demasia
Disfarço minha ignorância com sagacidade
Com alegorias e fantasia
Se eu fosse um homem
Eu poderia sonhar e ser sonhado
Chorar e ser chorado
Até o fim dos meus dias
À dias do fim.