Brev(idade)

Somos um breve segundo entre o sim e o não
O ranger de dentes
E o tremer das pálpebras
Somos o encontro de olhares que diz
“Quantos nãos ei de ouvir até que haja um sim?”

Somos os pés descalços neste solo
E os sapatos que deixamos no meio do caminho
Somos as pernas bambas que procuram o chão em meio ao ar
E o alívio que temos ao firmá-las na terra.

Se em algum momento fomos esse pó
A qualquer hora a ele voltaremos
Enquanto nossos pés continuarem pisando nele
E enquanto em nossas veias correr este sangue de breve idade
E enquanto em nossa pele ainda habitar a luz do sol

Haverá sim
Haverá não
Haverá dor e alegria
Tristeza, solidão,
Calçados, pés,
Dentes, olhares,
Suor, monotonia,
O tédio, e as mesmas anedotas que nos contaram durante a vida.

Mas enquanto isso, 
cravamos nossos pés sujos e descalços nesse pó, 
esperando que esse momento não acabe, 
que esse verso não se esgote, 
que o último segundo do ano não seja uma lágrima, 
e que tudo o que vivemos não seja mais do que esse breve segundo.
Essa breve idade.

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