O que nunca contaram sobre a raposa.

Giovanna Rodrigues
Aug 31, 2018 · 1 min read

Eu descobri da pior forma o porquê das raposas sempre andarem sozinhas.
Apesar de se adaptar bem em qualquer ambiente e conseguir viver em conjunto, quando a noite cai e tudo que se ouve são os pios distantes de uma observadora coruja, a raposa vaga sozinha pela floresta.
Arisca demais para qualquer um se aproximar, se acostuma a ser vista apenas de longe, a pelagem alaranjada jamais afagada, não é para isso que está ali.
Galho após galho, ela desvia, com passos calculados, como quem sabe exatamente onde está indo - ainda que seja apenas seu instinto guiando-a.
Atraída pelo som do riacho, prossegue no escuro até que enfim consegue achar seu caminho para fora da escuridão, agora pode descansar.
Sozinha ali, observando seu próprio reflexo na água, ela deixa de se sentir tão solitária.
Um farfalhar nas árvores à sua frente e ela vê algo laranja como ela iluminado pela luz da lua, desaparecendo tão rápido quanto havia surgido.
A raposa olha uma última vez para seu reflexo na água antes de cruzar o riacho e seguir para a continuação das árvores, atrás do que acabou de ver.
Talvez não fique sozinha para sempre. Mas sabe que para isso precisa enfrentar mais uma parte escura da floresta.

Giovanna Rodrigues

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20 anos, leonina, escrevo romances épicos e leio seu futuro nas minhas cartas.