Os Pecadores que somos

Assumindo a condição de pecador para experimentar a Graça

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Existe uma decepção geral que parece acontecer, hora ou outra, com todas as pessoas.

Muita gente sofre por se esforçar para viver de maneira 100% correta e justa, e acabar sempre batendo a cabeça por não conseguir.
E quem nunca se decepcionou com alguém que pisou feio na bola?

Parece que na conta entre a vida real e aquela perfeita do ideário coletivo, algo não fecha, e ai nos pegamos questionando o que deu errado.

A culpa toda disso é porque, cedo ou tarde, as pessoas descobrem que muita coisa que as ensinaram não eram tão verdade e que, na vida real, elas não funcionam bem assim.

Ensinaram que quando você acabasse o colégio, entraria na faculdade, escolheria uma profissão para o resto da vida, ganharia bem, construiria uma família e viveria feliz. Mas não é bem assim.

Ensinaram que o casamento é o ápice da vida e que você encontraria o seu príncipe/princesa encantado(a) que te amaria todos os dias e tudo seriam flores. Mas não é bem assim.

Ensinaram, inclusive, que Deus só vai te amar se você seguir todas as regras, ordens e proibições que a “Bíblia” (leia-se: alguma liderança espiritual) te dá, e se isso acontecer você terá uma vida próspera, feliz e abençoada. Mas também não é bem assim.

É impressionante como existe uma diferença gigante entre aquilo que nos ensinaram e aquilo que realmente acontece. Especialmente, no caso dos cristãos.

E o buraco é ainda mais embaixo.

Porque, na prática, o que nos ensinaram foi que: mais importante do que viver uma vida correta é saber esconder seus erros, demonstrando aos outros uma vida maquiada linda e certinha.

Enquanto o plano der certo, tudo bem.
Mas um dia a casa cai.
E quando cai você se lasca. Bastante.

Pensando nisso, percebi que muita coisa ruim deixaria de acontecer se nós simplesmente resolvêssemos nos assumir como os pecadores que, de fato, somos. Mostrando ao mundo que somos pessoas reais, com problemas reais e deficiências morais.

Todos nós.

E minha contribuição para uma tentativa de rompimento desse ciclo malicioso, são as três sugestões abaixo:

ASSUMA-SE COMO PECADOR PARA VOCÊ MESMO

Um bom início é criar uma consciência interna sobre sua pecaminosidade e capacidade de fazer o mal.

Os livros de auto-ajuda podem até dizer que você pode ser a próxima Madre Teresa de Calcutá, mas na verdade, lá no fundo, se tivesse a chance de escolher entre ser a Madre ou a pessoa mais rica do mundo, você certamente estaria agora com os bolsos cheios de dinheiro.

Nosso ego tem um poder impressionante. 
E ele pode destruir muita coisa. 
Inclusive sua vida.

Viver sabendo disso é muito mais fácil do que continuar se achando o paladino da justiça que aponta todos os defeitos do planeta. 
Menos os seus próprios.

ASSUMA-SE COMO PECADOR PARA SUA FAMÍLIA

Seja quem for que você considere família, não crie e nem deixe que alguém faça uma imagem sua idealizada e esterilizada de um super-herói totalmente íntegro, porque a real é que um dia descobrirão suas falhas e a decepção que virá em seguida trará traumas e consequências difíceis de serem superadas.

Seja uma pessoa real e deixe que saibam disso desde sempre.

ASSUMA-SE COMO PECADOR PARA A SOCIEDADE

Na sociedade em geral (trabalho, escola, etc) não seja conhecido como o “santinho”.

O Kaká era conhecido assim. Um jogador incrível e um ser humano mais incrível ainda, mas, no dia em que a câmera o filmou falando alguns palavrões em campo, choveu gente para o criticar e questionar, inclusive, sua fé.

Ou seja, quando você passa essa imagem de “santo”, na primeira oportunidade que as outras pessoas tiverem (e vai chegar), elas não perderão a chance de questionar seu caráter e sua fé. Criticando-o por ter passado a imagem de algo que você não era.


Em toda a Bíblia, Deus demonstra uma notável preferência por pessoas “autênticas” em vez de pessoas “boas”. — Philip Yancey

Eu sou uma pessoa real.
Você é uma pessoa real.
E pessoas reais não são perfeitas.
Então pare de querer parecer ser assim.

Somos todos pecadores.
Mas a Graça de Deus existe.
E é ela que nos liberta de toda culpa, ilusão e frustração sobre nós mesmos.

“porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23)

mas

“onde abundou o pecado, superabundou a Graça” (Rm 5.20)