O Lado bom disso tudo

Breves considerações sobre como a crescente polarização ideológica do Brasil pode ter seu lado positivo e gerar um avivamento político no país.

É verdade que estamos em um momento delicado e acirrado mais complexo do que os melhores episódios de House of Cards? É verdade.

É verdade que existe uma polarização política que tem dividido boa parte da população? É verdade.

É verdade que tem muita gente falando muita besteira dos dois lados do tabuleiro? Também é verdade.

Vou dizer o óbvio, mas os recentes episódios políticos do país elevaram os ânimos da timeline no facebook e se todos decidiram dar suas opiniões, também quero concedê-los a minha.

Fazer uma análise sensata sobre tudo isso não é tarefa das mais fáceis. Como alguém já disse: “O Brasil não é para amadores”. Mas, me arrisco a fazer algumas considerações que possam acrescentar no debate em torno da crescente polarização ideológica no país.

Não existe lado neutro

  • Frases como “Meu partido é meu país” e “Nem para direita, nem para esquerda, quero ir para frente” na mesma proporção de serem bonitas e românticas são também infundadas e falaciosas.
  • Todos tem um lado e defendem os interesses de algum grupo, sabendo disso ou não. E, em 90% dos casos, quem se diz assim apresenta uma tendência para a direita.

O discurso da superação da polarização é ingênuo e inocente.

  • Também é muito bonito ver aqueles que pregam uma terceira via ou que todos deveriam se unir em prol do bem comum da nação. Até concordo com a teoria, mas, na prática, o discurso não vinga pois não apresenta um plano politico eficaz que consiga cumprir o prometido, conciliando todas as forças políticas do país.
  • O mais parecido que podemos chegar disso são as opções de centro. Porém, mesmo assim, sempre serão voltadas para alguma ideologia. Não existe a opção Centro-centro.
  • Desde o fim da Ditadura, nosso país vive em governos de Centro, mas a Oposição sempre insistiu que a Situação era extremista demais em sua posições.

A polarização não é algo totalmente ruim.

  • Divergindo de alguns colegas, considero que a polarização seja um grande avanço para a democracia brasileira.
  • Ver avenidas lotadas com milhares de pessoas que lutam pela vida política do país é um movimento que não pode ser simplesmente menosprezado. Independente de opinião, é preciso respeitar o livre direito a manifestação intrínseco a cada cidadão.
  • Cada indivíduo tem o direito de expressar suas preferências e posições. Seria ideal que todos o fizessem para sabermos o real cenário do país.

Indignação [pode] gera[r] consciência política.

  • As manifestações mostram o despertar de um grupo que até então se mantinha inerte em relação a coisa pública.
  • Isso pode ser encarado como um primeiro passo rumo a alfabetização política da classe média que se mostra indignada com a classe executiva-legislativa e disposta a mudar o “tudo que esta aí”.
  • Disso podem sair duas classes:
  • A primeira - menos desejável -, são os raivosos que destilam ódio a qualquer pessoa ou objeto que os lembre dos “malditos comunistas”. Falam “Bolsomito” e não podem ser levados a sério. Porém, são perigosos e merecem atenção especial.
  • A segunda, muito melhor, são os indignados que decidem interessar-se pelo assunto público e, pouco a pouco, conhecendo melhor todo o cenário, criando uma cosmovisão mais profunda e participando mais ativamente das atividades disponíveis. Seja como um cidadão melhor, participando em Conselhos ou, até mesmo, se elegendo em algum cargo.

Polarização gera movimento.

  • Ao longo da história sempre foi assim: dois lados opostos que, em atrito, geraram transformações. Sendo assim, não é errado escolher um deles. São os embates do jogo democrático que movimentam o país e o levam para frente.
  • Em síntese, são os extremistas que nos levam para o equilíbrio. São eles que, quando um lado desponta, saem gritando e puxando a corda para o centro. Se o mundo dependesse dos equilibrados viveríamos todos em uma tirania do marasmo.
  • Obviamente, isso não nos dá desculpa para sermos idiotas. Nada disso terá efeito se o debate das ideias não acontecer em momento algum.

A Conclusão bonitinha para você que chegou até aqui.

Resumindo tudo o que eu disse e somando uns conselhos:

  • Não fique em cima do muro. Assuma sua posição ideológica e lute por ela. É seu direito e dever como cidadão lutar por um país melhor, seja por qual linha preferir.
  • Não menospreze a opção do outro. É lamentável quando vemos alguém chamando um petista de burro, analfabeto e querendo deslegitimar seu voto. Isso diz muito mais sobre aquela pessoa do que sobre o eleitor do Lula.

[Exceto se a opção do outro for o Bolsonaro, ai pode dar uma zuadinha que tá liberado. (piadinha)]

  • Saiba debater e dialogar com as outras ideologias. Por mais que você discorde, elas podem acrescentar tanto na defesa da sua opção como na possível mudança de percepção.
  • Fuja do covarde discurso da imparcialidade. Não são pessoas imparciais que transformam a sociedade.

Existe um lado bom em tudo isso: Pode ser que essa geração de indignados acabe por gerar um Brasil mais justo e equalitário. Tenho esperança que aconteça. Mas, para isso, será imprescindível que se mantenha a cordialidade no debate e a salvaguarda da democracia representada pela Constituição.

{Até lá, continuo recebendo mensagens de amor ao PT nos grupos do whatsapp.}

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